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Dividido, Copom eleva Selic em 0,75 ponto

O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou em 0,75 ponto porcentual a taxa básica de juros (Selic), para 13,75% ao ano, pela quarta vez consecutiva. Mas, ao contrário das últimas reuniões, a decisão de ontem não teve unanimidade.

Agência Estado |

Cinco diretores do Banco Central (BC) votaram pelo aumento de 0,75 ponto porcentual e três, pela alta 0,50 ponto.

"Avaliando o cenário macroeconômico, o Copom decidiu elevar a taxa Selic para 13,75% ao ano, sem viés, com vistas a promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória de metas", justificou o BC, no tradicional comunicado divulgado após a reunião, que durou mais de três horas.

A última vez em que não houve consenso de votação no Copom foi em julho de 2007, quando o juro caiu de 12% para 11,5% com apoio de quatro votos. Na ocasião, três diretores votaram pela redução de 0,25 ponto. Com a decisão de ontem, o Brasil voltou a se isolar na liderança do ranking mundial de juros reais (descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses). A taxa brasileira subiu para 8,1% ao ano ante 4,2% da Turquia; 2,6% do México; e 2,5% da Austrália, segundo dados da consultoria UPTrend.

Na avaliação de especialistas, o racha no placar de ontem reforçou a expectativa de redução no ritmo de alta dos juros na próxima reunião, nos dias 28 e 29 de outubro, para 0,50 ponto. Embora a maioria dos analistas apostasse no avanço de 0,75 ponto na Selic, a falta de unanimidade surpreendeu.

"Concordando ou não com a decisão, a gente cobra coerência. Na última reunião, o Copom já havia surpreendido o mercado ao elevar de 0,50 ponto para 0,75 ponto o ritmo de alta dos juros. Além disso, divulgou um comunicado bem mais duro", afirmou o economista da Modal Asset Management, Alexandre Póvoa. Segundo ele, possivelmente a mudança foi pautada pela recente queda no preço das commodities. O problema, avalia Póvoa, é que no atual cenário é difícil fazer previsões.

O economista-chefe da Concórdia Corretora, Elson Teles, concorda. Apesar de ter havido uma desaceleração da inflação nos últimos meses, principalmente por causa da queda nos preços das matérias-primas, ainda há muitas incertezas para o cenário prospectivo de inflação. "No momento, o principal fator de risco para os índices de preços advém da demanda doméstica, que cresce a taxas robustas, sem sinais de arrefecimento."

Para o economista-sênior do BES Investimento, Flávio Serrano, no entanto, o resultado da política monetária deve começar a aparecer em breve na economia brasileira. "O BC olha para frente. Na reunião de ontem, por exemplo, ele já devia ter em mãos a evolução da atividade econômica e do crédito em agosto e nesses primeiros dias de setembro", ponderou ele, que também criticou a divisão do placar. Serrano espera alta de 0,50 ponto em outubro e 0,25 ponto em dezembro. "Dificilmente, o Copom vai fazer alguma elevação em janeiro."

Mesma aposta faz o diretor-gerente da consultoria americana Global Insight para a América Latina, Rafael Amiel. "A votação dividida é sinal de que o Copom vai reduzir o tamanho da elevação no próximo encontro, que deve ser de 0,50 ponto ou menos. A alta da Selic na reunião de dezembro pode ser de 0,25 ponto e não deve haver aumento em 2009, quando já poderá ter corte do juro." Amiel avalia que o Copom tem sido agressivo na condução da política monetária, mas acrescenta que há percepção de que muito aumento do juro poderia prejudicar o crescimento econômico.

"A falta de unanimidade mostra que há maior sensibilidade no comitê em relação à implicação que a elevação do juro terá sobre o crescimento do País", acrescenta o diretor de pesquisa do RBC Capital Markets para mercados emergentes, Nick Chamie.

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