Profundamente dividida, a Europa reunirá seus principais líderes amanhã para tentar dar uma resposta à crise. Mas em seu melhor estilo, o bloco não consegue entrar em um acordo sobre qual deve ser o remédio contra a turbulência nos mercados e se um fundo de emergência será criado para a região.

Nos últimos dias, seis governos europeus se lançaram para salvar bancos que estavam à beira de um colapso, apesar de terem passado dias garantindo que a crise não cruzaria o oceano.

Nas capitais européias, um pacote começou a ser negociado, enquanto a imprensa garantia que a idéia havia surgido no gabinete do anfitrião de amanhã, Nicolas Sarkozy. Mas o governo da Alemanha deixou claro que vetaria qualquer plano para criar um fundo de resgate.

Paris não esconde que é favorável a um fundo de emergência que poderia ser usado cada vez que bancos centrais europeus não tenham recursos suficientes para salvar um banco em dificuldade.

Para amanhã, em Paris, a idéia da cúpula era de dar sinais positivos ao mercado. Os chefes de governo da França, Reino Unido, Alemanha e Itália se reúnem para tentar definir uma estratégia e tentar coordenar ainda as posições do bloco antes da reunião do FMI e do Banco Mundial, em duas semanas em Washington. Ontem, a falta de confiança no plano americano e os alertas sobre a desaceleração real da economia européia fizeram com que as bolsas do velho continente terminassem mais uma vez em baixa. No ano, as bolsas na Europa já caíram mais de 45%.

A polêmica foi lançada antes de os líderes se reunirem. A imprensa européia deu como certo que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, teria estimado que 300 bilhões seriam necessários para a criação de um fundo de emergência, como o dos EUA. Para a ministra da Economia da França, Christine Lagarde, um pacote seria necessário para ajudar os países menores do bloco, ameaçados por um colapso bancário.

Mas as reações contrárias foram tantas que o governo francês optou por desmentir a existência do plano e mesmo que ele tenha sido proposto por Paris. Horas depois de negar, Paris confirmou que existia a idéia, mas que eram apenas troca de opiniões entre os governos e que o valor havia surgido dos holandeses. "Não há nenhum plano francês, não há nenhum fundo francês", afirmou o Ministério das Finanças, dizendo que a idéia partiu da Holanda.

Na Holanda, o governo confirmou que estava pensando em propor algum tipo de pacote. "Estamos ainda discutindo os detalhes com outros Estados", afirmou um porta-voz.

Em Paris, ninguém nega que Sarkozy quer levar os créditos de ser o suposto criador de um plano europeu. Mas pode ter se antecipado e vazado informações antes que os demais chefes de Estado avaliassem as sugestões. O governo francês foi obrigado a mudar o discurso diante da reação.

A realidade é que um plano está sendo elaborado e que a chanceler alemã, Angela Merkel, teria ficado "furiosa" com a proposta, segundo a edição de ontem do Financial Times. O tamanho do pacote não seria o problema, mas sim a idéia de se criar um fundo único, com recursos dos contribuintes.

Desde o início da crise, em setembro, autoridades alemãs deixaram claro que seriam contra um pacote ao estilo americano. "A Alemanha não apóia o plano", afirmou o porta-voz do ministro de Finanças, Torsten Albig. Para Berlim, o pacote não deve ser aprovado, seja o tamanho que for. "A idéia de aplicar uma solução só, como um big bang, não resolveria e criaria outro problema", afirmou. Para os alemães, uma solução caso a caso teria de ser debatida. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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