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Dívidas de curto prazo ameaçam empresas

A forte redução da liquidez global poderá complicar a situação financeira das empresas que têm dívidas a pagar no curto prazo. Com o mercado de capitais, interno e externo, praticamente fechado, as empresas que quiserem rolar seus débitos terão de recorrer ao sistema bancário nacional e pagar taxas de juros bem mais salgadas que no passado recente.

Agência Estado |

Outra alternativa será usar dinheiro do caixa para honrar os compromissos, o que significaria redução da capacidade de investimentos na expansão da atividade, explicam analistas.

Levantamento feito pela empresa de informações financeiras Economática mostra que, se a crise internacional não amainar logo, várias companhias poderão enfrentar dificuldades nos próximos meses. Segundo o estudo, cerca de 25% da dívida total bruta de um conjunto de 199 empresas de capital aberto (exceto Petrobrás, Vale e Eletrobrás) vence no curto prazo - até meados do ano que vem. Isso significa R$ 62 bilhões.

Em alguns casos, segundo o levantamento, a dívida de curto prazo corresponde a 100% dos compromissos da empresa, como é o caso da MPX Energia e da Souza Cruz. "Se o mercado continuar fechado, não há o que fazer. Ou tira dinheiro do caixa ou pega empréstimo no banco com custo mais caro", diz o economista da agência de classificação de risco Austin Rating, Alex Agostine. Ele explica que, apesar da maior seletividade das instituições financeiras, ainda tem dinheiro no sistema bancário brasileiro. "Mas, além de juros maiores, as empresas terão de dar mais garantias para ter o financiamento."

A Santelisa Vale, uma das maiores companhias do setor de açúcar e álcool, por exemplo, afirmou ontem, em nota, que tem conseguido refinanciar suas dívidas de curto prazo e manter contratos de longo prazo. Apesar do período de entressafra, ela acredita que o estoque da companhia seja suficiente para diminuir os passivos. A empresa soltou a nota para tentar afastar os rumores de que estaria em dificuldades por causa do elevado nível de endividamento em meio à crise mundial de liquidez.

"Os sócios estão comprometidos com os negócios do Grupo, o que traz segurança e credibilidade às operações", destaca a Santelisa, que surgiu a partir da fusão de usinas e empresas da Companhia Energética Santa Elisa e da Companhia Açucareira Vale do Rosário, em 2007. Na época, o negócio movimentou cerca de R$ 1 bilhão.

Outra empresa do setor que tem sido alvo de desconfiança por parte do mercado é a Açúcar Guarani. Cerca de 76% das dívidas totais da companhia vencem no curto prazo, o que significa R$ 569 milhões, sendo 90% desse valor em dólar. Procurada, a empresa disse apenas que "o tema em questão diz respeito à estratégias de atuação da empresa, e por essa razão não será comentado".

Com um volume bem menor de compromissos no curto prazo, a Tractebel Energia anunciou ontem que desistiu de fazer uma nova emissão de debêntures neste ano. Segundo o presidente da empresa, Manoel Zaroni, a Tractebel planejava dar seqüência ao programa de emissão de debêntures, que já havia captado R$ 400 milhões. O objetivo da operação era antecipar o pagamento de alguns financiamentos da companhia. Segunda a Economática, cerca de R$ 588 milhões em dívidas da empresa terão de ser pagas ou roladas no curto prazo.

O setor imobiliário também tem despertado atenção, já que depende essencialmente de crédito. O analista da Corretora Spinelli, Jayme Alves, explica que, além de gerar caixa para pagar as dívidas, as construtoras terão de conseguir dinheiro para tocar os projetos. O ideal seria fazer alguma captação no mercado e alongar as dívidas, mas, com o mercado retraído, a alternativa seria recorrer ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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