Mesmo com a expansão dos gastos em ano eleitoral, a dívida líquida do setor público ficou praticamente estável no mês passado graças à desvalorização cambial de 3,5% no ano e ao efeito do crescimento econômico

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Mesmo com a expansão dos gastos em ano eleitoral, a dívida líquida do setor público ficou praticamente estável no mês passado graças à desvalorização cambial de 3,5% no ano e ao efeito do crescimento econômico. Pelos dados divulgados ontem pelo Banco Central, a relação dívida/PIB fechou junho em 41,4%, o equivalente a R$ 1,385 trilhão. Em janeiro, a dívida correspondia a 41,5% (R$ 1,317 trilhão). A tendência, segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, é de que não haja variação neste mês. Mas o resultado vai depender do comportamento do câmbio. Para cada 1% de variação do câmbio, há um impacto contrário de 0,11% na relação dívida/PIB. Para o fim do ano, no entanto, a estimativa do BC foi mantida em 39,4%. A relação dívida/PIB é um dos indicadores considerados pelos economistas para avaliar a capacidade de pagamento do País. Também tem ganhado atenção dos analistas a relação dívida bruta/PIB, que teve forte crescimento nos últimos meses por causa da capitalização de mais de R$ 100 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em junho, a relação dívida bruta/PIB chegou a 60,1% ou R$ 2,010 trilhões. Mas esse número, conforme estimativa de Altamir, deve recuar para 59% do PIB no fim deste ano. As estimativas para a trajetória da dívida pública consideram a hipótese de que o País cumprirá a meta de 3,3% de superávit primário neste ano, o que ainda é uma dúvida por causa dos elevados gastos do governo. No mês de junho, por exemplo, a economia feita para pagamento de juros da dívida somou R$ 2,059 bilhões, o pior resultado para o mês desde 2003. Esse número foi influenciado pela disparada dos investimentos não só pelo governo federal como também pelo estadual. Os governos regionais, apesar de terem feito um superávit primário de R$ 1,7 bilhão, fizeram a menor economia desde junho de 2006. "Houve aumento dos investimentos em quase todas as esferas de governo", afirmou Lopes. Estatais. As empresas estatais, após contribuírem com um resultado positivo de R$ 1,392 bilhão em maio, voltaram a ficar no negativo no mês passado. O déficit primário foi de R$ 387 milhões. No acumulado do ano, esse resultado negativo foi de R$ 621 milhões, ou o equivalente a 0,04% do PIB. A meta de primário das estatais corresponde a 0,20% no ano. "Estamos distantes da meta, mas acredito no cumprimento. Devem se verificar resultados melhores daqui para frente", frisou o chefe de Departamento do Banco Central. O resultado aquém das expectativas no semestre se deve principalmente ao déficit de R$ 1,967 apurado pelas empresas estatais federais no primeiro semestre. Já as companhias ligadas aos governos estaduais tiveram um superávit de R$ 1,341 bilhões no período e as municipais, de R$ 5 milhões. A economia para pagamento de juros da dívida do setor público consolidado de junho também foi influenciada pelos gastos com juros, que somaram R$ 15,680 bilhões. Com isso, o déficit nominal (receita menos despesas, incluindo gastos com juros) foi de R$ 13,621 bilhões.

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