O ano começou com significativa redução da dívida líquida do setor público, mas com piora de perfil. Dados divulgados ontem pelo Banco Central mostram que o endividamento público líquido (que considera não só os compromissos do governo, mas também seus direitos) caiu R$ 28 bilhões, para R$ 1,32 trilhão em janeiro.

Com isso, a dívida passou de 42,9% do PIB, em dezembro de 2009, para 41,7%.

O maior responsável pela queda da dívida no mês passado foi o câmbio, que teve desvalorização de 7,68% no mês. Como o Brasil possui grandes ativos em moeda estrangeira - como as reservas internacionais - a alta do dólar fez com que, em reais, esse crédito aumentasse de valor, diminuindo o total da dívida líquida no correspondente a 0,8 ponto porcentual do PIB. Também pesou a favor a economia feita para pagar juros da dívida.

Ainda que a dívida tenha caído em janeiro, a qualidade do endividamento continuou piorando, tornando-o mais vulnerável às variações da economia. Segundo o BC, a parcela que acompanha a taxa Selic saltou de 62% em dezembro para 70,4% em janeiro, recorde da série iniciada em 2001.

Do ponto de vista da gestão, um volume elevado de dívida pós-fixada é ruim porque dificulta a programação do Tesouro para os pagamentos. O ideal é ter mais papéis pré-fixados, que permitem o melhor planejamento dessas despesas.

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