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Dívida de R$ 400 mil levou a Zoomp à falência

Um dos maiores ícones da moda brasileira, a Zoomp foi à falência por causa de uma dívida de cerca de R$ 400 mil. Na segunda-feira, a Justiça de São Paulo decretou a quebra da grife, após julgar procedente o pedido feito pela Allen Comércio e Produtos de Informática, antiga fornecedora da companhia.

Agência Estado |

"A Zoomp chegou a fazer acordo em juízo com a empresa, mas a decisão da Justiça foi mais rápida. Talvez não se tenha dado o carinho merecido ao acordo", lamenta Carlos Valmer, diretor estatutário e representante do fundo Global Capital na Zoomp. "Vamos tentar reverter a decisão. Sabemos que é difícil, mas não impossível."

O débito que levou a Zoomp ao desfecho dramático surpreende porque a grife tinha problemas muito mais graves. Em dificuldade financeira há alguns anos, a companhia acumula dívida superior a R$ 60 milhões, boa parte com o Global Capital, que entrou na Zoomp em abril de 2007 para tentar recuperar a operação. Só com fornecedores, a dívida chega a R$ 12 milhões. Em 2006, quando foi vendida para os investidores Enzo Monzani e Conrado Will, da holding IM, ela já estava extremamente endividada.

Nos últimos dias, o fundo negociava com um grupo ligado à moda um novo aporte de capital para manter de pé a companhia, mas a decretação da falência jogou essa alternativa por terra. "Se a gente conseguisse fechar a negociação, pagaríamos todos os fornecedores à vista. Mas o grupo decidiu suspender as conversas", diz Valmer.

Na opinião de advogados, dificilmente a empresa conseguirá reverter a situação. Segundo o especialista em falências Thomas Felsberg, a Zoomp teve um prazo de dez dias, após ser citada da ação, para renegociar o débito ou pedir a recuperação judicial. Como a empresa não reagiu no prazo, a falência foi decretada.

Para recorrer, a Zoomp terá de provar no Tribunal de Justiça a existência de algum defeito no processo ou que a decisão não teve fundamento - ou seja, que a dívida não existe ou já havia sido paga. "Ela teria de ter negociado com os credores após a citação."

Desde segunda-feira, a sede da Zoomp, em Barueri (Grande São Paulo), está lacrada pela Justiça. Nenhum dos 171 funcionários das áreas administrativas pode entrar no prédio. A produção, que era terceirizada, ficará parada enquanto prevalecer a decisão da Justiça.

Por enquanto, as 15 lojas próprias continuarão abertas, mas ao longo do tempo podem ficar desabastecidas, se a situação não for revertida. O mesmo vale para as 800 lojas multimarcas que vendem produtos da grife. A companhia, que faturou no ano passado R$ 80 milhões, tem 360 funcionários (incluindo os das lojas) e uma centena de fornecedores - boa parte de pequeno e médio portes - que dependem dela, alguns deles exclusivamente.

A Zoomp era a principal marca da holding IM, lançada com estardalhaço na São Paulo Fashion Week em janeiro de 2008. Na ocasião, os investidores anunciaram, de uma tacada só, a compra das grifes Clube Chocolate, Cúmplice, Fause Haten e Alexandre Herchcovitch. Três meses depois, veio a primeira ruptura no projeto megalomaníaco de Monzani e Will: o dono da Cúmplice negou ter vendido sua empresa ao grupo. Em abril, Herchcovitch deixou a holding. Logo depois foi a vez de Fause Haten, que lançou uma grife independente - a marca que leva seu nome continua com a IM.

Há quase um ano, Monzani e Will não participam mais da gestão do grupo, embora ainda sejam os principais acionistas. Essa foi a condição imposta pelo Global Capital para fazer um novo aporte de capital. Até hoje, o fundo já investiu R$ 50 milhões na Zoomp.

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