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Dissídios em setembro devem pressionar menos a inflação no fim do ano

Antecipação das datas-base para o primeiro semestre tem contribuído para moderar pressão dos ganhos salariais sobre preços no varejo

Ilton Caldeira, iG São Paulo |

Os dissídios de importantes categorias profissionais como bancários, petroleiros, comerciários e metalúrgicos este mês devem contribuir para pressionar os índices de inflação nos últimos meses do ano, mas de forma menos significativa, de acordo com a avaliação de especialistas.

Apesar de serem categorias numerosas, com grande mobilização e poder de negociação o impacto deve ser menor este ano porque desde 2010 vários segmentos estão antecipando as campanhas salariais para o primeiro semestre .

Esse fato tem contribuído para que ocorra uma menor pressão nos preços vinda dos reajustes salariais entre o terceiro e o quarto trimestre.

Dos cerca de 700 acordos coletivos acompanhados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), aproximadamente dois terços, 66,8% do total estão concentrados no primeiro semestre do ano, sendo que quase 27% das negociações têm como data-base o mês de maio.

Por muitos anos maio foi o mês de competência para o reajuste do salário mínimo. Mas a partir de 2010, com a mudança para janeiro, houve um movimento de antecipação dos dissídios para o primeiro semestre e essa tendência deve ganhar força, segundo o economista da Fábio Romão, da consultoria econômica LCA.

Distribuição das datas de reajustes salariais

700 acordos coletivos em todo o País

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Fonte: Dieese e LCA

 

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou na semana passada que governo tem segurado os aumentos no setor público e há uma moderação nos dissídios do setor privado o que também contribui para uma pressão mais moderada sobre os preços. Segundo Tombini, a média dos reajustes salariais ficou em 8,60% em janeiro, recuando para 8,24% em maio e para 7,45% em julho, numa tendência de desaceleração.

O crescimento real da renda está em 4% em 12 meses até julho, isso em um cenário com uma economia em processo de desaceleração e com uma inflação média mais elevada que no ano passado. Mas esse desempenho deve arrefecer nos próximos meses devendo encerrar o ano em 3,2% e ficar em 3,5% em 2012, segundo projeções da LCA. Em 2010 o crescimento médio da renda foi de 3,8%.

Esse conjunto de indicadores sobre o crescimento da renda indica que a inflação de serviços deve continuar em um patamar ainda incômodo, mas com tendência de queda. O indicador acumulado em 12 meses registra alta de 8,9% e deve recuar para cerca de 8% em 2012, segundo projeções.

Para José Silvestre Prado de Oliveira, coordenador de relações sindicais do Dieese, a crise deve afetar o crescimento da economia mundial por um período mais longo o grande trunfo é o mercado interno. E a melhora da renda vai fazer a roda da economia seguir girando.

“Esse quadro deve ter pouco efeito no enfraquecimento das negociações porque o mercado de trabalho continua robusto. A economia vai crescer menos este ano, algo entre 3,5% e 4 % o que sobre uma base de 7,5% do ano anterior é um bom resultado”, diz Oliveira. “Nessa aposta no mercado interno para amenizar os possíveis efeitos negativos da crise internacional a melhoria do poder de compra é uma questão chave”, acrescenta o especialista do Dieese.

As negociações, de forma geral, têm apresentado ganhos acima da inflação, desde 2004, numa proporção crescente. Segundo o Dieese, em 2010 foi verificado o melhor resultado dos últimos quatorze anos em termos de ganhos reais para os salários com 94% dos acordos resultando em ganhos. Desse total, 15% das categorias conquistaram ganhos reais de 3%.

No primeiro semestre deste ano, 84,4% de 353 acordos salariais obtiveram reajustes superiores à inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é o segundo melhor da série histórica perdendo apenas para o primeiro semestre de 2010, quando os acordos com ganho real somaram 86,7%.

Impactos na economia

Segundo os especialistas é difícil prever quanto dinheiro pode entrar a mais na economia por conta dos dissídios de setembro. Vários fatores devem ser considerados numa projeção como o ganho real alcançado em cada categoria, por exemplo.

Além disso, muitas categorias não têm campanha nacional unificada, o que dificulta projetar o montante de recursos que pode entrar em circulação e o impacto para a economia do País. Outro fator frisado pelos especialistas é que apenas parte dos recursos acaba sendo usado para consumo de bens e serviços, o que inviabiliza uma projeção mais apurada dos reais impactos sobre os preços.

Os bancários, por exemplo, reivindicam um reajuste de 12,8%, composto por aumento real de 5% mais reposição da inflação, projetada em 7,5%. A Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) reivindica 17% de aumento, sendo 7% com base na inflação acumulada dos últimos 12 meses pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e 10% referente à produtividade.

Em greve desde quarta-feira, os funcionários dos Correios pedem aumento salarial real de R$ 400, piso salarial de R$ 1.635 e reposição da inflação de 7,16%, entre outras reivindicações.
 

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