Nos próximos dias, ministros de todo o mundo desembarcam em Genebra para a última tentativa de acordo na Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), sete anos após seu lançamento. Mas, além das diferenças entre os números e fórmulas de abertura, Europa, Estados Unidos, Mercosul e Índia enfrentam processos internos que podem impedir a conclusão da Rodada.

Ontem, o governo francês deixou claro aos demais europeus que deveria haver um "repensar" do mandato negociador de Bruxelas. Os franceses, que presidem a UE pelos próximos seis meses, sediam hoje a primeira reunião de ministros de Agricultura e vão apresentar suas prioridades. Paris alerta que a abertura indiscriminada do mercado agrícola não está entre elas, já que não há ganhos em Doha.

"A bola agora está nas mãos dos países emergentes, que precisam nos dizer claramente o que vão nos dar em termos de acesso a produtos industriais", disse um negociador francês.

O presidente Nicolas Sarkozy não esconde a rivalidade com o comissário de Comércio da Europa, Peter Mandelson. Mas Sarkozy não tem o apoio de todos. Ontem, os governos do Reino Unido, Suécia, República Checa, Estônia, Letônia e Eslovênia publicaram uma carta aberta pedindo a conclusão da Rodada e garantindo que a OMC pode trazer lucros à UE.

Esses governos são considerados mais abertos e insistiram que não está mais na hora de rever mandatos negociadores.

Nos Estados Unidos, a eleição presidencial e falta de autorização do Congresso para um acordo comercial também é visto como um problema para um acerto entre os governos nos próximos dias em Genebra.

Na Argentina, o conflito entre governo e ruralistas também não ajuda a situação do governo em estabelecer uma posição conjunta para enfrentar as negociações. O próprio Mercosul ainda pena em chegar à reunião com uma voz única. Ontem, os ministros do bloco estiveram juntos para tentar afinar o discurso.

Já o Executivo na Índia enfrenta um voto de confiança no Parlamento. Isso exigirá que o ministro de Comércio, Kamal Nath, abandone Genebra em meio às negociações da próxima semana.

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