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Disputa da Vale com chineses afeta balança de novembro, diz Mdic

BRASÍLIA - Apesar do recuo na cotação das commodities em geral, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) aponta que os preços dos produtos brasileiros ainda registram ganhos frente a 2007 - à exceção de petróleo, suco de laranja e alumínio. Mas a queda-de-braço entre a Vale e os chineses por reajuste no preço do minério de ferro é mais um fator de recuo nas exportações.

Valor Online |

Segundo o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, o embarque de minério de ferro caiu 21,3% em novembro sobre outubro, "por contração nas compras da China decorrente de disputas contratuais" com a Vale. Em consequência, o total de compras chinesas recuou 56,5%, somando US$ 560 milhões em novembro deste ano, ante US$ 1,42 bilhão, no mesmo período do ano passado.

Dados do Mdic apontam que, em relação a novembro de 2007, o preço do minério de ferro exportado registrava mês passado alta de 99,5%; semimanufaturados de ferro e aço tinham avanço de 63,2% e carne bovina mostrava aumento de 41,8%. Na mesma base de comparação, o preço do petróleo tinha queda de 14,9%, o suco de laranja estava 29,1% barato, o alumínio mostrava recuo de 5,5% e o frango queda de 2,9%.

A balança comercial brasileira teve saldo positivo de US$ 1,613 bilhão em novembro, com vendas externas em US$ 14,753 bilhões e importações em US$ 13,14 bilhões. Tanto as exportações quanto as compras no exterior tiveram resultado abaixo das projeções do Mdic, que esperava vendas em US$ 16,493 bilhões e importações em US$ 17,305 bilhões.

A crise, que já levou vários países a entrar em processo de recessão, aliada à alta no preço interno do dólar e às chuvas em Santa Catarina, foram apontadas pelo secretário como as causas do recuo nas duas pontas da balança comercial no mês passado.

No caso das exportações, a paralisação do porto catarinense de Itajaí, o segundo maior porto de contêineres do país e responsável pelo embarque de 4% de todas vendas externas, o impacto foi no valor de US$ 370 milhões. A queda de 35% no preço do petróleo (sobre outubro de 2008) gerou um efeito negativo de US$ 600 milhões; a redução no embarque de petróleo teve impacto também negativo de US$ 490 milhões; e o país deixou de lucrar outros US$ 280 milhões esperados pelo governo com menor exportação de autopeças, siderúrgicos e motores de veículos.

Do lado das importações, que recuaram 16,5% sobre outubro, a projeção do Mdic não se cumpriu por redução de US$ 1,497 bilhão na compra de petróleo; de US$ 1,634 bilhão pela diminuição de 39% na importação de matérias-primas e bens intermediários; queda de 17% na aquisição externa de máquinas e equipamentos no valor de US$ 695 milhões e retração de 8% em bens de consumo, em especial de automóveis, cujas compras ficaram US$ 170 milhões abaixo do esperado. Outros US$ 170 milhões em produtos importados deixaram de entrar por Itajaí.

Segundo Barral, o fechamento do porto de Itajaí afetará as exportações de dezembro e início de 2009. Por lá, saem 30% das carnes exportadas pelo país; 22% das vendas externas de fumo; 26% do total de móveis; 21% dos produtos cerâmicos; 32% das exportações de compressores e 60% da produção brasileira de maçã vendida lá fora.

O secretário destaca que a demora na recuperação do porto catarinense vai gerar prejuízos difíceis de estimar, além do fato de que as enchentes pararam setores como o de cerâmica, por rompimento de gasoduto, e que as quedas de barreiras nas rodovias deixaram cerca de 3 mil caminhões parados, sem escoamento da produção destinada ao mercado externo.

O secretário estima que com os R$ 350 milhões já liberados pelo governo federal, as obras no porto de Itajaí devem durar mais de dois meses. "Só então, metade do porto deve voltar a funcionar", destacou ele, lembrando que mesmo com desvio para outros portos, o escoamento da produção de grão das regiões Sul e Sudeste para exportação já está afetado.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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