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Discurso pró-Doha tenta neutralizar protecionismo

Pronunciamentos recentes do G-8 e de autoridades, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Carlos Gutierrez, a favor de um acordo da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) têm um sentido político importante de evitar nova onda protecionista como a que aprofundou a depressão dos anos 30, mesmo que, na prática, seja difícil conseguir um acordo agora. A opinião é de especialistas ouvidos pela Agência Estado.

Agência Estado |

"A declaração do G-8 é certamente positiva", diz o presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e ex-ministro da Indústria e Comércio, José Botafogo Gonçalves. "Sempre que há recessão o protecionismo ganha força e quem mantém a racionalidade diz que mais proteção é menos comércio, menos atividade econômica e mais recessão", completa. No entanto, ele observa que apesar de esforços como os do governo brasileiro, as eleições nos Estados Unidos e a necessidade de aprovação pelo Congresso americano dos termos acordados dificultam muito a conclusão da Rodada da OMC.

"Concluir Doha seria um antídoto preventivo vigoroso ao protecionismo. Seria uma vacina para evitar o que aconteceu com a crise de 29, quando aumentou o protecionismo, que é visto hoje até como uma das causas da 2º Guerra Mundial", disse o ex-ministro da Economia Marcílio Marques Moreira.

O protecionismo na década de 30 foi citado por Gutierrez na visita que fez ao Brasil na semana passada como um dos maiores erros daquela crise. O próprio início da Rodada de Doha se deu no fim de 2001, após os ataques terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos.

"Mas ali, o governo Bush tinha apoio do Congresso americano. Agora, já não tenho tanta certeza", diz a pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas Lia Valls Pereira, especialista em comércio internacional. Para ela, as declarações recentes de governos e do G-8 sobre Doha "têm cunho muito político, de sinalizar que não vão repetir os erros de 30". Ela lembra que um dos países que protagonizaram o impasse que impediu um acordo na reunião de julho da OMC foi a Índia, onde Lula estava anteontem discursando a favor de Doha.

Índia e Estados Unidos teriam divergido sobre salvaguardas à importação de produtos agrícolas por países em desenvolvimento, dada a importância da agricultura familiar entre os indianos. "Se basicamente foi só essa questão das salvaguardas mesmo, se for só isso, pode ser que seja possível um acordo. Mas a época é a pior possível por causa das eleições nos Estados Unidos e na Índia (em 2009)", disse Lia.

Sandra Rios, sócia e diretora do Centro de Integração e Desenvolvimento (Cindes), considera "pouquíssimo viável" um acordo em Doha. Argumenta, inclusive, que com as grandes incertezas devido à crise internacional é difícil traçar os cenários para os próximos anos que permitem fundamentar as decisões para acordos. Para ela, pronunciamentos como o do G-8 mostram o receio de que a crise provoque o recrudescimento de medidas protecionistas e constituem uma mensagem "muito importante" para os políticos de cada país evitarem o protecionismo e fortalecerem o sistema multilateral. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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