Tamanho do texto

SÃO PAULO - Deixando de lado a falta de direção do começo do pregão, os contratos de juros futuros têm um leve acúmulo de prêmio de risco na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Os Indicadores Industriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e os dados do setor automotivo da Anfavea davam forma à curva.

SÃO PAULO - Deixando de lado a falta de direção do começo do pregão, os contratos de juros futuros têm um leve acúmulo de prêmio de risco na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Os Indicadores Industriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e os dados do setor automotivo da Anfavea davam forma à curva. Na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em maio de 2010 marcava estabilidade a 8,67%. Julho de 2010 subia 0,01 ponto a 9,24%, enquanto janeiro de 2011 apontava 10,43%, alta de 0,02 ponto. Entre os vencimentos mais longos, janeiro de 2012 avançava 0,01 ponto, a 11,66%. Janeiro 2013 também ganhava 0,01 ponto, a 12,01%. E janeiro 2014 também avançava 0,01 ponto, a 12,15%. Pesquisa da CNI apontou estabilidade no nível de utilização da capacidade da indústria brasileira em 80,4% em fevereiro. O economista-sênior do BES Investimentos do Brasil, Flávio Serrano, comentou que o dado da CNI, teoricamente, tiraria pressão de alta na curva futura, já que mostra uma menor utilização de recursos e, consequentemente, menos espaço para aumento de preços. Acontece que os dados da Anfavea surpreenderam para cima, explica Serrano, reforçando a visão de elevado ritmo de crescimento. Segundo a associação, a produção da indústria automobilística somou 330.980 veículos em março, uma expansão de 20,3% em relação ao mesmo mês do ano passado. Na comparação com fevereiro a produção registrou elevação de 32,5%. Já as vendas foram recordes, somando 353,7 mil unidades em março, 30,3% acima do verificado um ano antes 2009. " Lógico que ainda tem o reflexo do IPI menor " , pondera o economista. Para Serrano, o mercado está se precavendo. Levando em conta os dados da Anfavea, a produção industrial de março deve ser forte, o que pode levar o Banco Central a encarar esse crescimento como um fator de risco. Trazendo os dados para dentro do horizonte de política monetária, Serrano avalia que eles apenas alimentam a discussão quanto ao ritmo de ajuste na taxa Selic. " Segue a discussão entre alta de 0,5 ponto ou 0,75 ponto até a reunião. " A curva futura, nota Serrano, mostra bem isso, com a precificação embutida nos contratos no meio do caminho entre uma aposta e outra. O posicionamento do BES é de alta de 0,5 ponto, dada a sinalização do Relatório de Inflação, mas Serrano aponta que o mais eficiente seria uma elevação um pouco mais forte. " Tem justificativa para a alta de 0,75 ponto, pois ela neutralizaria de forma mais rápida a dinâmica de piora nas expectativas de inflação. " Olhando para a agenda de quinta-feira, o economista diz que espera um IPCA fechado para março de 0,52%, um número relativamente alto em função dos alimentos, que voltaram a ganhar força no mês. Para abril, a expectativa é de arrefecimento nos preços, mas a dúvida que surge é sobre o tamanho do impacto do reajuste dos remédios na inflação oficial. (Eduardo Campos | Valor)
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.