SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros operam com leve viés de alta na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), transmitindo a ideia de novas apostas de alta na Selic já na reunião desta quarta-feira. Por volta das 11h30, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em abril subia 0,01 ponto, a 8,83%. Junho marcava estabilidade, a 9,34%.

Assim como janeiro de 2011, que projetava 10,51%.

Entre os vencimentos mais longos, janeiro de 2012 subia 0,01 ponto, a 11,63%, e janeiro 2013 ganhava 0,02 ponto, a 11,96%.

O economista-chefe da Máxima Asset, Elson Teles, também acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) não deve esperar e já tem argumentos suficientes para tirar a Selic dos atuais 8,75% ao ano amanhã.

"Esperar para que, se tem que subir os juros?", questiona. "Até concordo que a intenção inicial do BC, tanto pelo comunicado da decisão de janeiro quanto pela ata, era esperar mais. Só que o cenário de inflação piorou muito desde janeiro", diz o economista.

Tomando como base o Relatório de Inflação de dezembro, Teles lembra que o BC trabalhava com um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em torno de 1,5% para o primeiro trimestre de 2010. Acontece que tal variação já foi atingida no primeiro bimestre.

Teles também não dá crédito à teoria de que esse aumento de preço tem caráter meramente pontual. Segundo o economista, a história não é bem assim; há sim maior pressão por fatores não sazonais. "As expectativas responderam a isso e já estão acima de 5% neste ano e passaram do centro da meta em 2011, o que é mais preocupante ainda."
Para Teles, o único argumento de quem ainda acredita em alta apenas em abril seria o protocolo, ou seja, o BC não teria sinalizado de forma adequada a mudança no viés de política monetária.

No entanto, o economista lembra que o colegiado sempre faz um "seguro" e que esta apólice está no parágrafo 28 da ata da reunião de janeiro, que tem a seguinte redação: "Na eventualidade de se verificar deterioração do perfil de riscos que implique alteração do cenário prospectivo traçado para a inflação, neste momento, pelo comitê, a estratégia de política monetária será prontamente adequada às circunstâncias".

(Eduardo Campos | Valor)

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