SÃO PAULO - Os juros futuros voltaram a acumular prêmio de risco nesta terça-feira, mostrando que os agentes seguem adotando uma postura mais cautelosa antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Chamou atenção, o volume negociação, que passou de 2,3 milhões de contratos.

Ao final da jornada, na Bolsa de Mercadorias e & Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em abril, que respondeu por mais da metade do volume do dia, marcava alta de 0,02 ponto, a 8,84%. Julho de 2010 ganhou 0,01 ponto, a 9,35%. Ainda entre os curtos, janeiro de 2011 também acumulava 0,01 ponto, a 10,52%.

Entre os vencimentos de prazo mais longo, o vértice janeiro de 2012 marcava 11,63%, alta de 0,03 ponto. Já janeiro marcava estabilidade a 11,94%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 2.333.295 contratos, equivalentes a R$ 227,28 bilhões (US$ 128,81 bilhões), alta de 73% sobre o volume de ontem. O vencimento para abril de 2010 foi novamente o mais negociado, com 1.733.501 contratos, equivalentes a R$ 172,65 bilhões (US$ 97.85 bilhões).

Na visão do economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, o mercado está forçando a barra quanto uma uma alta de juros já na reunião de amanhã. "De fato é necessário subir a taxa, mas não agora", pondera.

Segundo Agostini, é como se a economia brasileira estive internada no CTI de um hospital. "Não é ao primeiro sinal de melhora que o paciente é colocado para fora."
De acordo com o especialista, parece que esqueceram que a economia passou por uma recessão e que o PIB caiu 0,2% no ano passado. "Temos que manter os estímulos para ter uma consolidação dessa recuperação", explica.

Para Agostini, tal confirmação só será perceptível entre junho e julho, aí sim, a autoridade monetária poderia começar a subir a taxa de juros mirando não mais 2010, mas sim 2011.

Outro ponto destacado pelo economista é que o ajuste poderia se feito de forma gradual, com alta de 0,25 ponto percentual, pois o aperto da taxa básica sempre é amplificado ao longo da curva futura.

Ainda de acordo com o especialista, a leitura da ata da reunião dea manhã e do relatório trimestral de inflação é que vai, de fato, definir se o Banco Central sobe os juros em abril ou espera até junho. "Por meio desses comunicados é que o BC pode passar uma comunicação melhor de como enxerga as variáveis."
(Eduardo Campos | Valor)

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