SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros abrem a semana apontando para baixo na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). A percepção é de que o Banco Central vai continuar cortando a taxa de juros , resume o estrategista de renda fixa da Coinvalores, Paulo Nepomuceno.

Ele chamou atenção para o baixo volume de negócios, reflexo do feriado em Wall Street.

Há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 cedia 0,05 ponto, a 10,98%. O contrato para janeiro 2011 tinha desvalorização de 0,07 ponto, a 11,37%. E janeiro 2012 apontava 11,64%, baixa de 0,2 ponto.

Já na ponta curta, o DI para março de 2009 perdia 0,02 ponto, a 12,63%. Abril de 2009 marcava 12,23%, sem alteração. E julho de 2009 desvalorizava 0,03 ponto, para 11,53% ao ano.

Segundo Nepomuceno, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve promover mais duas reduções de 0,75 ponto percentual na taxa Selic em março e abril e outra de 0,5 ponto em junho. Atualmente, o juro básico é de 12,75% ao ano.

O especialista acredita que a retração da economia brasileira começará a ficar mais evidente no fim do primeiro trimestre. Depois de dados muito ruins em dezembro, os números para janeiro são um pouco melhores, mas nada que justifique otimismo.

Para Nepomuceno, um dos pontos de preocupação é o mercado de trabalho. Em breve, os contratos serão revisados e as demissões são inevitáveis, principalmente entre as multinacionais.

O estrategista observa que a curva de juros futuros ainda carrega um prêmio relativamente grande nos vencimentos curtos, já os longos precificam bem o ciclo de afrouxamento monetário e não têm tanto espaço para cair. Fora isso, lembra Nepomuceno, o Brasil precisa se financiar no longo prazo; então, tem que manter juros elevados para atrair capital.

Na agenda do dia, o boletim Focus, do Banco Central, mostrou previsão do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,69% no encerramento do ano, contra 4,73% estimados anteriormente.

Merece atenção também a nova redução no prognóstico para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Pela terceira semana seguida, a expectativa de expansão da economia brasileira foi revisto e agora está em 1,5%, contra 1,7%.

Com isso, os agentes também estimam Selic mais baixa, de 10,5% no fechamento do ano, contra 10,75% previstos anteriormente.

Observando esses dados, Nepomuceno afirma que as projeções macroeconômicas para o fim do ano não são de grande relevância. Historicamente, recorda ele, o mercado erra muito e esse ano vai ser ainda pior, pois não há perspectiva de cenário. " Não sabemos se o mundo vai sair da crise ou não. "
Os agentes também receberam o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S). Pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostrou que o indicador recuou para 0,59% na segunda prévia do mês, contra 0,81% observado na abertura de fevereiro. Esta foi a menor leitura desde a quarta semana de dezembro de 2008.

(Eduardo Campos | Valor Online)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.