SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros ainda operam na ressaca da semana passada, que foi marcada por volumes recordes de negociação e forte ajuste nos vencimentos após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que optou pela estabilidade da Selic em 8,75%. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), os vencimentos operavam sem direção definida. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para abril marcava estabilidade, a 8,62%.

Julho de 2010 subia 0,01 ponto, marcando 9,12%. Janeiro de 2011 apontava 10,32%, sem alteração.

Já entre os vencimentos mais longos, janeiro de 2012 subia 0,01 ponto, a 11,69%. E janeiro 2013 avançava 0,04 ponto, a 12,11%. Janeiro 2014 também ganhava 0,04 ponto, a 12,24%.

A semana começou com agenda carregada. O Boletim Focus, do Banco Central (BC), mostrou nova piora nas expectativas de inflação tanto para 2010 quanto para 2011. A mediana sugere Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 5,10% no fechamento do ano, contra previsão anterior de 5,03%. Essa foi a nona semana seguida de alta. Para 2011, o IPCA projetado avançou de 4,60% para 4,70%.

Segundo a economista-chefe da Icap Brasil, Inês Filipa, como a decisão do Copom foi na quarta-feira, não daria tempo para que se observasse uma reversão significativa nos prognósticos de inflação. "Não esperava nova alta nas expectativas. Então, vamos aguardar as próximas semanas para ver, no mínimo, uma parada nessa piora", diz Inês.

Embora as projeções para o IPCA continuem piorando, os agentes ouvidos pelo BC não mudam sua visão quanto ao tamanho do aperto monetário a ser implementado em 2010. A mediana continua sugerindo taxa Selic em 11,25% no encerramento do ano pela nona semana seguida.

Como não houve unanimidade entre os membros do Copom, Inês passou a trabalhar com alta de 0,5 ponto a 0,75 ponto percentual na taxa básica de juro na reunião de abril. O tamanho do ajuste dependerá da leitura do IPCA de março, que, na visão da economista, ainda deve vir um pouco pressionada, comprometendo o comportamento da inflação no ano. "Por isso dessa possibilidade de 0,75 ponto."
Ainda pela manhã, os agentes receberam o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que subiu 0,91% na segunda medição de março. Segundo Inês, o resultado ficou abaixo da mediana de 0,95%. Os alimentos foram a principal fonte de pressão, mas o ponto positivo, segundo a economista, é que alguns itens, como preços industriais e transportes perderam força. "São fatores sazonais que estão perdendo força."
Inês também chama atenção para a agenda da semana, que, além da ata do Copom, reserva uma prévia para a inflação oficial de março. Amanhã, será conhecido o IPCA-15. A Icap trabalha com alta de 0,60%, um arrefecimento sobre o 0,94% de fevereiro, mas um número ainda alto, também por conta do grupo Alimentação.

(Eduardo Campos | Valor)

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