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DIs mostram mercado pressionando BC por alta mais forte na Selic

SÃO PAULO - Dia de forte volume e movimentação atípica no mercado de juros futuros. Os contratos longos subiram de forma acentuada, apesar da alta mais forte da Selic e da sinalização de que o Banco Central deve antecipar o ciclo de aperto monetário.

Valor Online |

Antes do ajuste final de posições na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para maio de 2010 perdia 0,05 ponto a 9,30%. Junho de 2010 teve acréscimo de 0,01 ponto, a 9,37%. E julho de 2010 subiu 0,03 ponto, a 9,68%. Ainda entre os curtos, janeiro de 2011, o mais líquido do dia, avançou 0,12 ponto, atingindo 11,13%. Entre os longos o ajuste foi mais acentuado, o DI para janeiro de 2012 subiu 0,16 ponto, a 12,32%. Já o contrato para janeiro de 2013 ganhou 0,10 ponto, a 12,58%, e janeiro 2014 acumulou 0,08 ponto, para 12,55%. Até as 16h15, foram negociados 1.847.790 contratos, equivalentes a R$ 170,57 bilhões (US$ 98,47 bilhões), quase três vezes menos do que o registrado ontem, mas ainda assim um volume considerável, já que a quinta-feira foi dia de ajuste pós-Copom. O vencimento janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 580.710 contratos, equivalentes a R$ 54,07 bilhões (US$ 31,21 bilhões). Segundo operador que preferiu não se identificar, o que a curva futura mostra é um embate do mercado contra o Banco Central."O mercado está colocando o BC em corner, ou seja, o BC não tem mais a capacidade de induzir a formação de preço." De acordo com o especialista, os agentes viram que o Banco Central não tinha saída para retomar as rédeas do mercado, pois qualquer posição adotada resultaria em alta nos prêmios. A alta de 0,75 ponto dada na quarta-feira apenas estimulou mais apostas de que em junho o Copom terá que aumentar o passo para um ponto. Se o BC desse uma alta ainda mais forte, de 1 ponto, a interpretação seria de que o cenário é ainda pior, e os investidores pediriam mais prêmio. Se a saída fosse pelo meio ponto, ficaria a ideia de decisão política, o que também levaria a aumento de prêmio. "Os agentes estão forçando um ambiente ruim. Não existe uma degradação de cenário que justifique tamanha inclinação da curva", diz o especialista."Nunca vi uma coisa assim." Ainda de acordo com o operador, essa puxada de alta acabou resultando na"zeragem"de posições vendidas no mercado. O que serviu de gatilho para novos aumentos nos prêmios, pois os agentes que estavam vendidos são"obrigados"a ficar comprados. A ata do Copom, que será apresentada na próxima semana, é um ótimo canal de comunicação para tentar reverte essa situação, diz o especialista."O BC pode tentar controlar essa situação no discurso, mas o mercado só sente um órgão, que o bolso", diz o operador. Outra saída para o BC, diz o especialista, é lançar mão de medidas administrativas, como contingência de crédito e aumento de compulsório. Com visão parecida, a empresa de análises de mercado 4Cast, aponta que o mercado sentiu o cheiro de sangue está correndo atrás dele. A alta de 0,75 ponto percentual na Selic, ao invés de dar maior confiança, abriu as portas da incerteza, e o mercado já pede alta de 1 ponto percentual na decisão de junho. "Os dados de atividade não ajudaram, mas acreditamos que problema, de fato, está na comunicação do BC com o mercado", disse a empresa, apontando para a ata da reunião de março, que teve um tom completamente descolado da decisão, e para as declarações recentes do presidente Henrique Meirelles."Isso foi uma clara lição de como se confundir o mercado", disse a 4Cast em comunicado enviado a mais de 1.300 clientes ao redor do mundo. (Eduardo Campos | Valor)

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