SÃO PAULO - Os investidores aproveitam a virada de humor no mercado externo e embolsam os recentes ganhos obtidos com os contratos de juros futuros. Tal movimento não causa surpresa, pois a margem para as novas apostas de baixa estava bastante reduzida depois das quedas acentuadas de ontem.

Ao final do pregão, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com o vencimento para janeiro de 2010, o mais líquido, registrava alta de 0,04 ponto, a 11,42%. Na mínima o contrato bateu 11,33%. O contrato para janeiro 2011 subiu 0,05 ponto, a 11,53%. E janeiro 2012 apontava 11,63%, valorização de 0,02 ponto.

Na ponta curta, os vencimentos seguiram em baixa. O contrato para março de 2009 perdeu 0,04 ponto percentual, para 12,97%, enquanto o DI para julho de 2009 recuou 0,05 ponto, projetando 12,08% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 551.585 contratos, equivalentes a R$ 50,39 bilhões (US$ 21,17 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 263.560 contratos, equivalente a R$ 23,78 bilhões (US$ 9,99 bilhões).

Os contratos começaram o dia em baixa depois que mais um indicador de atividade reforçou a visão de brusca desaceleração econômica durante o quarto trimestre do ano passado.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas no varejo caíram 0,7% em novembro na comparação com outubro. No varejo ampliado, que engloba a venda de veículos e de material de construção, a queda foi maior, de 3,4%.

Segundo a Ativa Corretora, as constantes mudanças de cenário e a desaceleração econômica mais acentuada do que o antecipado tornam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) bastante complicada.

A maioria dos agentes espera um corte entre 0,5 ponto e 0,75 ponto percentual na Selic, e alguns acreditam em redução maior, de 1 ponto percentual. Mas a corretora chama atenção para o fato de a atual diretoria do BC ser mais conservadora, principalmente quando se fala de corte de juros. " Portanto, acreditamos em um corte de 0,5 ponto, porém, com os atuais acontecimentos e com os dados recentes não descartamos a possibilidade de um corte de 0,75 ponto. "
Em relatório a empresa avalia os recentes dados de atividade e ressalta que, embora ainda seja difícil avaliar se as recentes contrações são apenas ajustes de estoque, o Brasil não escapará de uma redução na produção industrial.

Pelo lado inflacionário, a surpresa é positiva, com a pressão cambial barrada pela própria crise, que limita a capacidade de repasses. Contudo, os economistas da Ativa afirmam que o repasse ainda não está completamente descartado, dado que esse processo demora entre 3 e 6 meses. " Ainda existe uma incerteza sobre a inflação que impede uma atitude precipitada de corte de juros. "
(Eduardo Campos | Valor Online)

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