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SÃO PAULO - Depois do acúmulo de prêmios registrado no começo do pregão, os contratos de juros futuros de vencimento longo voltam a apontar para baixo na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Os agentes acompanham a piora de humor no mercado externo e as projeções do boletim Focus do Banco Central (BC).

Na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 opera com baixa de 0,08 ponto percentual, a 14,37%. Já o contrato para janeiro 2011 tinha desvalorização de 0,06 ponto, a 15,10%. Janeiro 2012 apontava 15,27%, queda de 0,08 ponto percentual.

Na ponta curta, dezembro de 2008 não registrava negócios. O DI para janeiro de 2009 subia 0,06 ponto, apontando 13,56%.

O gerente da mesa financeira da Hencorp Commcor, Rodrigo Nassar, comentou que a idéia que ganha força no mercado e transparece pelo movimento das curvas é a de que o Banco Central (BC) terá de cortar juros em algum momento de 2009 em função da crise externa.

Na semana que vem, o Comitê de Política Monetária (Copom) realiza sua última reunião de 2008 e o consenso é de manutenção da taxa em 13,75% ao ano. Para 2009, o boletim Focus aponta Selic em 13,5% no encerramento do ano.

Ainda de acordo com a sondagem do BC, os agentes de mercado estão menos otimistas com 2009, prevendo maior inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e menor crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Para Nassar, não há surpresa nas projeções, que refletem apenas o mau humor generalizado em momento de crise.

A mediana das expectativas aponta crescimento de 2,8% do PIB no ano que vem, abaixo dos 3% anteriormente previstos e inferior também às expectativas de integrantes do governo, que estimam avanço de 4%. O prognóstico para o IPCA subiu de 5,20% para 5,25%.

Para 2008, as indicações melhoraram, com IPCA projetado em 6,35% contra 6,39%. O crescimento da economia em 2008 continuou previsto em 5,24%.

Ainda pela manhã, os agentes receberam o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), que subiu 0,56% no fechamento de novembro, resultado praticamente estável sobre a medição anterior. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), a taxa referente à quarta semana foi a maior já registrada no segundo semestre de 2008.

(Eduardo Campos | Valor Online)