SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros encerraram a segunda-feira sem tendência definida. Depois de uma realização de lucros durante a manhã, que puxou os vencimentos para cima, as taxas longas voltaram a cair no período da tarde.

Ao final do pregão na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado, apontava alta de 0,02 ponto percentual, para 12,32%. Já o contrato para janeiro 2011 fechou com perda de 0,06 ponto, a 12,36%. E janeiro 2012 apontava 12,56%, desvalorização de 0,12 ponto.

Na ponta curta, o contrato para janeiro de 2009 caiu 0,07 ponto, para 13,41%. E o DI para julho de 2009 não apresentou alteração, projetando 12,72% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 187.230 contratos, equivalentes a R$ 16,88 bilhões (US$ 7,15 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 72.865 contratos, equivalente a R$ 6,48 bilhões (US$ 2,75 bilhões).

Para a economista-chefe da Arkhe Corretora, Inês Filipa, as notícias do dia não justificariam um aumento nos prêmios de risco, mas a baixa liquidez e o cenário externo negativo estimularam uma realização de lucro no começo do pregão.

A especialista também lembra que o baixo número de contratos negociados causa distorção na formação dos preços, pois quem opera um volume um pouco maior direciona o mercado.

De acordo com Inês, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) divulgado hoje, que apontou deflação de 0,13% em dezembro, após avanço de 0,38% em novembro, reforça a expectativa de corte de juros na reunião de 21 de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom).

Para a economista, o BC já " avisou " que vai alterar a condução da política monetária e as discussões se concentram, agora, na magnitude do corte de juros. " O tom da ata e o relatório de inflação reforçam a expectativa de redução de 0,5 ponto percentual " , avalia a especialista.

Pela manhã, os investidores receberam o boletim Focus do Banco Central. Os agentes de mercado projetam Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 6,03% no encerramento de 2008. Percentual acima do centro da meta de 4,5% mas abaixo do teto de 6,5%. Para 2009, a inflação está estimada em 5%, menor que os 5,02% da pesquisa anterior.

Inês chama atenção para outro dado do Focus. Pela quarta semana consecutiva a estimativa de juros foi revisada para baixo. A Selic esperada no final de 2009 caiu de 12,25% para 12%. O que embute uma expectativa de redução de 1,75 ponto percentual na taxa básica durante o ano que vem.

Pelo modelo da economista, o ciclo de redução na Selic será um pouco menor do que o projeto pela sondagem do BC, totalizando 1,5 ponto percentual.

Ao mesmo tempo em que reduziram a projeção para o custo do dinheiro, os analistas consultados pelo BC revisaram o crescimento estimado para 2009, de 2,4%, para 2,44%.

Ainda de acordo com Inês, a queda nas expectativas de inflação contribuiu para esse leve aumento no crescimento esperado para o Produto Interno Bruto (PIB) do ano que vem.

(Eduardo Campos | Valor Online)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.