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SÃO PAULO - A divulgação da prévia da inflação oficial para o mês de março não teve grande impacto sobre os contratos de juros futuros de vencimento curto, que fecharam o dia próximo da estabilidade. Já os vencimentos longos, mais ligados à cena externa, recuaram, mas sem muita força.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu 0,55% em março, taxa inferior ao 0,94% de janeiro, mas dentro das expectativas do mercado. Grande parte do recuo pode ser creditada aos grupos transporte e educação, que tinham subido após reajustes.

Segundo a CM Capital Markets, os números divulgados confirmam a visão de que grande parte da alta da inflação neste início de ano reflete efeitos sazonais e não um descompasso entre oferta e demanda.

"Desta forma, entendemos que não há a necessidade de implementar um choque de juros para conter a inflação no país e o BC deve iniciar o ciclo de aperto monetário com uma alta de 0,50% esperada para a próxima reunião", destacou o estrategista-chefe da CM Capital Markets, Luciano Rostagno.

Na visão do economista, os dados de hoje tiram força da corrente de mercado que trabalhava com a ideia de que o Banco Central ficou atrasado ao não subir os juros agora em março e que teria que começar o ciclo com um perto mais forte, de até 1 ponto percentual em abril.

"O cenário de inflação não é explosivo, o que permite ao BC atuar de forma mais gradual também", explica Rostagno, ressaltando que o horizonte relevante para a autoridade monetária é a inflação de 2011.

Segundo Rostagno, apenas um choque de juros teria impacto relevante sobre a inflação de 2010. "E não creio que o BC esteja encarando dessa forma."
Esse desvio da inflação com relação ao centro da meta em 2010, segundo o estrategista, estaria relacionado justamente a esses fatores pontuais, como o reajuste de transportes públicos e o forte aumento no preço dos alimentos em função das chuvas acima do normal no começo do ano.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para abril de 2010, apontava estabilidade a 8,62%. Julho de 2010 ganhou 0,01 ponto, a 9,11%. Ainda entre os curtos, janeiro de 2011, o mais líquido do dia, subiu 0,01 ponto, a 10,27%.

Entre os mais longos, janeiro de 2012 marcava 11,64%, sem alteração. Enquanto janeiro de 2013 recuava 0,04 pontos, para 12,07%, e janeiro 2014 devolvia 0,06 pontos, projetando 12,17%.

Até as 16h15, foram negociados 709.325 contratos, equivalentes a R$ 101,94 bilhões (US$ 34,35 bilhões), pouco acima do registrado ontem. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 254.140 contratos, equivalentes a R$ 23,54 bilhões (US$ 13,05 bilhões).

Passando a avaliar o comportamento da curva futura, Rostagno aponta que o recuo de prêmio nos vencimentos mais longos tem relação com a menor aversão ao risco na cena externa.

O especialista explica que os contratos longos têm comportamento de ativos de risco, pois é difícil projetar movimento de política monetária em prazos muito dilatados.

Rostagno também chama atenção ao comportamento do câmbio, com o dólar perdendo valor para o real, apesar de seguir avançando contra o euro e a libra.

Para o estrategista, essa queda tem relação com as notícias dando conta de um aumento de mais de 100% proposto pela Vale no preço do minério de ferro, item de grande importância na pauta de exportação brasileira. Portanto, se Vale conseguir emplacar tal reajuste, há a perspectiva de impacto positivo na balança comercial do Brasil.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro vendeu 1 milhão de Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), a R$ 1,9 bilhão.

(Eduardo Campos | Valor)

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