SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros tiveram um pregão de elevada instabilidade e fecharam a quinta-feira sem tendência única na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 apontava ganho de 0,03 ponto percentual, para 14,64%, e o contrato para janeiro 2011 fechou com alta de 0,04 ponto, para 15,33%. Janeiro 2012, por sua vez, apontava 15,56%, com desvalorização de 0,06 ponto.

Na ponta curta, o contrato para dezembro de 2008 avançou 0,12 ponto percentual, para 13,27% ao ano. Enquanto o DI para janeiro de 2009, o mais negociado hoje, apontava baixa de 0,03 ponto, para 13,56%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 302.060 contratos, equivalentes a R$ 27,32 bilhões (US$ 11,76 bilhões). O vencimento de janeiro de 2009 foi o mais negociado, com 100.040 contratos, equivalentes a R$ 9,83 bilhões (US$ 4,25 bilhões).

Segundo um gestor de renda variável que prefere não se identificar, apesar de os dados não confirmarem, o sentimento de mercado e as notícias que vêm de alguns setores reforçam a percepção de que o processo de desaceleração da economia brasileira vai ser mais forte do que esperado. "É isso que os futuros de juros estão espelhando. Agora, temos que descobrir qual será a reação do Banco Central a isso."
De acordo com o especialista, os setores mais sensíveis ao crédito, como automóveis e construção, já estão sendo atingidos, mas os segmentos de consumo mais relacionados à renda seguem com expansão, pois as demissões ainda não ocorreram. "É um processo lento, mas que já está encaminhado."
Segundo o gestor, falta uma sintonia melhor entre mercado, governo e Banco Central. Por ora, o governo e o BC continuam com o discurso de que o impacto da crise externa não será muito grande e que a economia crescerá 4% em 2009. Mas a maior parte dos agentes enxerga crescimento de 3% com viés de baixa.

Na avaliação do especialista, se o governo e o BC querem esse aumento de PIB de 4%, eles têm que agir. Como um aumento de gastos (política fiscal) é algo descartado, sobra para o Banco Central, com o ajuste da política monetária (juros), garantir esse crescimento.

"O governo precisa agir para mudar esse sentimento que está apontando para um crescimento econômico muito baixo", afirma o especialista, acreditando que já existe espaço para o Banco Central cortar a taxa básica de juros na reunião de dezembro.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro Nacional realiza leilão de venda de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Letras Financeiras do Tesouro (LFT). O resultado prévio aponta que todo o lote de 500 mil LFTs foi comprado, movimentando R$ 1,843 bilhão. Todas das 650 mil LTNs ofertadas também foram compradas, com giro financeiro de R$ 514,36 milhões.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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