SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros fecharam a terça-feira sem tendência definida na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Os agentes reagiram aos primeiros indicadores de inflação de fevereiro, que surpreenderam para cima.

Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com o vencimento para janeiro de 2010, o mais líquido, fechou com baixa de 0,05 ponto, a 11,12%. Em direção contrária, o contrato para janeiro 2011 ganhou 0,07 ponto, para 11,59%. E janeiro 2012 apontava 11,99%, aumento de 0,06 ponto.

Na ponta curta, o DI para março caiu 0,02 ponto, para 12,64%. O contrato para abril também recuou 0,02 ponto, a 12,28%. E julho de 2009, segundo mais negociado, fechou estável a 11,64%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 616.900 contratos, equivalentes a R$ 54,95 bilhões (US$ 24,48 bilhões), quase o dobro do observado ontem. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 358.135 contratos, equivalente a R$ 32,60 bilhões (US$ 14,52 bilhões).

Segundo a Gradual Investimentos, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) surpreendeu para cima na primeira prévia do mês. O índice, que é utilizado para reajustar os contratos de aluguel, apontou alta de 0,42%, revertendo deflação de 0,31% em igual período de janeiro. As previsões oscilavam entre 0,17% e 0,39%.

O índice subiu por conta do IPA (Índice de Preço do Atacado) que apresentou forte variação, saindo de recuou de 0,5% em janeiro para aumento de 0,49%.

Hoje também foi divulgado o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no município de São Paulo. Segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, o indicador teve alta de 0,49% na primeira medição de fevereiro, leve acréscimo sobre a taxa de 0,46%, observada no final do mês passado.

Apesar do aumento nos preços, a Gradual avalia que o comportamento da inflação continua sob controle. " E não há nada no horizonte próximo que possa reverter essa expectativa. "
Cabe lembrar que a Gradual prevê um Banco Central mais agressivo na reunião de março, cortando a taxa Selic em 1,5 ponto percentual.

Para outros agentes de mercado, se os dados de inflação continuarem pressionados, aumenta a possibilidade de o colegiado do BC abrandar o ritmo de reduções na taxa básica de juros para 0,75 ponto percentual.

Em 21 de janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) deu início a um ciclo de flexibilização monetária cortando a Selic em 1 ponto percentual, de 13,75%, para 12,75% ao ano.

(Eduardo Campos | Valor Online)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.