SÃO PAULO - Depois de uma puxada de alta que durou três dias e levou alguns vencimentos a registrar preços não observados em mais de um ano, os compradores deram uma trégua no mercado de juros futuros. Em um movimento classificado de ajuste técnico, os vencimentos longos fecharam a sexta-feira apontando para baixo.

SÃO PAULO - Depois de uma puxada de alta que durou três dias e levou alguns vencimentos a registrar preços não observados em mais de um ano, os compradores deram uma trégua no mercado de juros futuros. Em um movimento classificado de ajuste técnico, os vencimentos longos fecharam a sexta-feira apontando para baixo. Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercados & Futuros, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para maio de 2010 perdeu 0,02 ponto, 8,72%. Julho de 2010 manteve 9,39%. Enquanto janeiro de 2011, o mais líquido do dia, caiu 0,03 ponto, atingindo 10,70. Entre os vencimentos longos, o DI para janeiro de 2012 recuou 0,03 ponto, a 11,96%. Janeiro de 2013 recuou 0,05 ponto, a 12,41%, e janeiro 2014 devolveu 0,05 ponto, para 12,60%. Até as 16h15, foram negociados 1.360.715 contratos, equivalentes a R$ 123,30 bilhões (US$ 70,52 bilhões), 14% abaixo do registrado ontem. O vencimento janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 433.385 contratos, equivalentes a R$ 40,30 bilhões (US$ 23,05 bilhões). Embora a curva futura continue mostrando agentes posicionados para uma alta de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros na reunião do dia 28 de abril, o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, defende sua aposta de aperto de meio ponto percentual na Selic. Segundo Petrassi, os indicadores de demanda realmente vieram mais forte, mas falta saber melhor como está o comportamento da inflação."Os dados da semana que vem serão determinantes para a decisão do Copom", afirma. Na visão do gestor, se o IPCA-15, IGP-M e IPCs semanais mostrarem uma redução consistente da inflação, o mercado deve tirar um pouco do exagero de alta de juros embutido na curva futura. Se o caso não for esse, diz Petrassi, o aumento de 0,75 ponto fica dado como certo. Além da inflação e demanda doméstica, o sócio da Leme aponta que o cenário externo é mais um ponto que deve ser ponderado pelo colegiado do Banco Central. Além da questão envolvendo a Grécia, que não está imune à falência, surge, agora, novos problemas para o setor financeiro americano. Hoje, a Securities and Exchange Commission (SEC, comissão de valores mobiliários dos EUA) acusou o Goldman Sachs de praticar fraude na venda de derivativos atrelados a contratos de hipotecas de alto risco (os chamados subprime). Em resposta, o Goldman afirmou que as acusações são"completamente infundadas, em fato e em direito". O fato é que a notícia causou um salto na aversão ao risco em âmbito global. Uma boa métrica é o VIX, índice que mede a volatilidade das opções das ações americanas, que chegou a subir 19%, retomando patamares não registrados desde fevereiro. A influência disso no mercado de juros ocorre via participação de investidores estrangeiros, principais agentes entre os vencimentos longos da curva. (Eduardo Campos | Valor)
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