SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros fecham a semana sem direção única. No entanto, ao contrário dos últimos pregões, foram os vencimentos curtos que recuperaram prêmio de risco, enquanto os longos ajustaram para baixo.

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros fecham a semana sem direção única. No entanto, ao contrário dos últimos pregões, foram os vencimentos curtos que recuperaram prêmio de risco, enquanto os longos ajustaram para baixo. Tal comportamento sugere um novo aumento nas posições esperando uma alta mais acentuada na Selic agora em abril. Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para maio de 2010 ganhava 0,02 ponto, 8,84%. Junho de 2010 teve acréscimo de 0,04 ponto, a 9,16%. E julho de 2010, o mais líquido do dia, subiu 0,05 ponto, a 9,43%. Ainda entre os curtos, janeiro de 2011 também avançou 0,05 ponto, atingindo 10,72%. Já entre os vencimentos longos, o DI para janeiro de 2012 teve baixa de 0,01 ponto, a 12,06%. Janeiro de 2013 cedeu 0,04 ponto, a 12,55%, e janeiro 2014 devolveu 0,07 ponto, para 12,68%. Até as 16h15, foram negociados 1.032.095 contratos, equivalentes a R$ 95,45 bilhões (US$ 54,15 bilhões), 23% abaixo do registrado na quinta-feira. O vencimento julho de 2010 foi o mais negociado, com 326.125 contratos, equivalentes a R$ 32,05 bilhões (US$ 18,18 bilhões). A instabilidade da curva futura é reflexo da falta de consenso sobre como o Comitê de Política Monetária (Copom) deve dar início ao ciclo de aperto monetário. A surpresa com os dados de atividade, que superaram expectativas, e a piora na inflação corrente e projetada, deram munição à fatia de mercado que trabalha com um inicio de ciclo de 0,75 ponto percentual. No entanto, outro grupo de agentes segue fiel à ideia de que o Banco Central manterá o plano original que sugere ajustes de meio ponto, pois tanto a atividade quanto à inflação devem arrefecer no decorrer do ano. Pertencente ao primeiro grupo, o BTG Pactual divulgou relatório retirando sua previsão de alta de 0,75 ponto não só na reunião da semana que vem do Copom, mas também em junho e julho. Dessa forma, a Selic sairá dos 8,75% atuais para 11%. Depois disso, avaliam os economistas do BTG, a autoridade monetária poderá fazer uma pausa, antes de inicial um segundo estágio no ciclo de ajuste, que seria implementado em 2011 e está estimado em 150 pontos-base. No entanto, o banco não descarta a possibilidade de o BC seguir direto com as altas ao longo de 2010 se cenário sugerir isso. Pelo lado da atividade, o BTG trabalha com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 6% em 2010, com viés de alta. Tal crescimento somado à leitura mais pessimista com relação à inflação pode gerar uma piora na balança de riscos inflacionários. Ainda de acordo com BTG, o início de ciclo com ajuste de 0,75 ponto parece ser a melhor estratégia, mesmo que o orçamento de alta na Selic siga em 250 pontos conforme o sugerido pelo próprio BC. Ao começar com uma alta mais acentuada, o BC terá encerrado o ajuste antes do aumento dos ruídos do período eleitoral. Além dessa vantagem, os economistas do banco notam que uma ação mais incisiva pode ajudar a ancorar as expectativas de inflação, o que acaba favorecendo o próprio modelo de expectativas do BC. Outro ponto que favorece a alta mais acentuada o efeito"bônus"sobre a reputação do Banco Central, que chegou a ser questionada por alguns agentes de mercado depois da decisão de março. O BTG ressalta que não compartilha de tal visão, desde março, o banco defendia a estabilidade da taxa, com aceleração posterior para altas de 0,75 pontos, como uma alternativa estratégica. Mais um tópico abordado pelo banco é que um ajuste de 0,75 ponto estaria sim alinhado com a comunicação do BC. Cabe lembrar que parte dos agentes que esperam alta de meio ponto o fazem apenas por acreditar que a autoridade monetária vai seguir a sinalização dada via comunicações e entrevistas de seus membros. Para o BTG , o BC pode ter acenado com um plano original de voo envolvendo altas de meio ponto, mas na ata da reunião de março ele emitiu um alerta sobre a possibilidade de acelerar o passo. Tal avaliação do banco tem respaldo no parágrafo 30 da ata de março, que apresentou a seguinte redação:"Note-se, adicionalmente, que também houve consenso entre os membros do Comitê quanto à necessidade de se adequar o ritmo do ajuste da taxa básica de juros à evolução do cenário inflacionário prospectivo, bem como ao correspondente balanço de riscos, de forma a limitar os impactos causados pelo comportamento da inflação corrente sobre a dinâmica subjacente dos preços." (Eduardo Campos | Valor)
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