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Haia, 1 dez (EFE).- A diretoria do banco e seguradora Fortis defendeu-se hoje das críticas dos acionistas, arimando que não teve outra escolha além da fragmentação para evitar sua falência.

O vice-presidente do Fortis Jan Michiel Hessels disse, na junta de acionistas que acontece hoje celebra na cidade holandesa de Utrecht, que a direção "não podia correr nenhum risco" e "não teve escolha".

Hessels defendeu a gestão da cúpula do Fortis e afirmou que em nenhum momento houve conflito entre a informação divulgada e a sucessão dos fatos em torno da instituição.

Um dos acionistas reclamou por eles terem sido "completamente ignorados" pela direção na hora de tomar decisões.

Outro criticou os diretores por terem "permitido" ao Governo holandês tomar as "partes boas" do Fortis, deixando aos acionistas somente a divisão internacional de seguros e uma participação de 66% na entidade que reúne a bolsa de produtos estruturados.

Além disso, os acionistas queixaram-se de falta de informação da direção, que, dias antes que de anunciar a nacionalização parcial do banco, seguia assegurando que ele ia bem.

O Fortis realiza hoje, na Holanda, e amanhã, na Bélgica, assembléias de acionistas para explicar a situação em que se encontra e submeter a votação a nomeação da nova equipe diretor.

Esta é a primeira oportunidade para os acionistas do grupo de opinar sobre a gestão do banco no último ano e sobre as decisões que levaram a sua fragmentação e venda.

Em duas semanas muito agitadas, do fim de setembro a meados de outubro, a intervenção dos três Governos do Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo) para salvar o Fortis da quebra terminou com seu desmanche e venda.

Por um lado, o Governo holandês decidiu ficar com todo o negócio do grupo na Holanda, incluindo a parte do ABN Amro que o Fortis tinha comprado um ano antes.

Haia pôs à venda a divisão de seguros, enquanto as atividades de bancos serão agrupadas com as do ABN Amro, sob o nome deste último, o que fará com que a marca Fortis desapareça do mapa bancário holandês.

Já os Governos de Bélgica e Luxemburgo decidiram, após nacionalizar a entidade, vender quase todos os negócios bancários (75% e 67%, respectivamente) e as atividades de seguros na Bélgica ao banco francês BNP Paribas, reservando-se uma minoria de bloqueio.

O Fortis embarcou, no ano passado, em uma aventura -a compra de um rival muito maior, o ABN Amro, junto ao Santander e ao Royal Bank of Scotland- que acabou o sobrecarregando.

Os problemas para pagar sua parte do ABN Amro (24,7 bilhões de euros) somaram-se à exposição da entidade às hipotecas de alto risco nos Estados Unidos e tudo isso em um contexto de crescente tensão nos mercados financeiros globais.

A direção do banco seguiu defendendo hoje a decisão de comprar o ABN Amro e atribuiu o desmoronamento da entidade às más circunstâncias econômicas internacionais, derivadas em grande parte da crise hipotecária nos Estados Unidos. EFE mr/jp