RIO - O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, sugeriu hoje a adoção de um programa de racionalização de energia, não apenas como forma de poupar água dos reservatórios, mas também para reduzir os custos com a geração a partir de termelétricas.

Países mais desenvolvidos adotam campanha de redução de consumo como uma coisa normal, faz parte da estratégia. Precisamos amadurecer neste sentido, ainda mais num sistema como o nosso, em que se depende da água, que é a maior incerteza, disse Chipp, acrescentando que a defesa da racionalização do consumo não significa que haja risco de crise energética.

Chipp detalhou o projeto de nível-meta para os reservatórios, que deve ser posto em consulta pública pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nas próximas semanas. Pelo projeto, o nível dos reservatórios das hidrelétricas no fim de novembro deve estar em 53%, enquanto no Nordeste o patamar deve ser de 35%. Com isso, segundo ele, o país estará preparado para a segunda maior escassez de chuvas do Sudeste das últimas sete décadas e para a pior escassez de chuvas no Nordeste no mesmo período.

Mas o diretor do ONS ressaltou que para se atingir o nível-meta no fim de novembro - e de acordo com o nível dos reservatórios das hidrelétricas em junho - haveria em novembro a necessidade de geração de 1.564 MW de energia por térmicas a gás, além da capacidade atual de geração com o gás disponível.

Mesmo assim, Chipp minimizou qualquer risco de racionamento no futuro. O executivo lembrou que o nível-meta sugerido pelo ONS é muito superior à curva de aversão ao risco e se mostrou otimista com o regime de chuvas, que em julho está acima da média histórica para o mês.

Com um pouquinho de água já recupera (o nível dos reservatórios), disse Chipp, que participou hoje de palestra organizada pelo Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Com essa proposta, racionamento vai ficar cada vez mais difícil, porque vamos nos preparar, criar um pulmão para enfrentar o pior, acrescentou, lembrando que, se aprovada pela Aneel, a adoção do nível-meta pode valer já para este ano.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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