Washington, 10 out (EFE).- O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, e vários líderes da União Européia pediram hoje uma frente comum na Europa para lutar contra a crise financeira global que derrubou os mercados.

"Não há solução doméstica a uma crise como esta", disse Strauss-Kahn durante um discurso em Washington que coincide com a reunião do Grupo dos Sete (G7), com os países mais industrializados (EUA, Canadá, Japão, Reino Unido, Alemanha, França e Itália) na capital americana.

"Peço sobretudo aos países europeus a que trabalhem juntos", insistiu em discurso o responsável do Fundo Monetário Internacional (FMI), que realiza este fim de semana em Washington sua Assembléia anual conjunta com o Banco Mundial.

Na mesma linha, o Comissário Europeu de Assuntos Econômicos e Monetários, o espanhol Joaquín Almunia, indicou que os países europeus devem encontrar uma resposta "sistêmica" ao problema em lugar de optar por vias isoladas para enfrentar a crise.

O pânico voltou hoje às principais bolsas de valores, desde Tóquio, que fechou com queda de quase 10% , até Londres, que caiu mais que 5%, Paris e Frankfurt, com perdas superiores a 7% e Wall Street, que na metade do pregão seguia negativa.

Ontem, o índice Dow Jones Industrial, de Nova York, registrou sua maior queda desde 1987.

A ministra da Economia francesa Christine Lagarde também defendeu uma ação coordenada.

Ela reconheceu, porém, que essa coordenação requereria "enormes esforços" e ponderou que não se pode esperar uma "resposta harmonizada" que sirva para todo mundo.

"O importante é alcançar um acordo sobre os princípios comuns", destacou.

Por sua parte, Lorenzo Bini Smaghi, membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu (BCE), afirmou que "se há um plano comum europeu, acho que é essencial os Estados Unidos terem uma proposta coerente e que trabalhemos juntos".

Sobre medidas concretas para deter o atual desastre, Strauss-Kahn pediu hoje garantia temporária de todos os depósitos interbancários devido à fragilidade da confiança pública.

"Isso implica não só (garantir) os depósitos dos bancos no varejo, mas provavelmente também os depósitos interbancários e do mercado de capitais, de modo que se possa restaurar a atividade nesses três mercados clave-chave", afirmou. EFE tb/jp

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