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O diretor do departamento da América do Fundo Monetário Internacional (FMI), Nicolás Eyzaguirre, defendeu nesta sexta-feira a autonomia do Brasil para taxar a entrada de capitais estrangeiros, adotado esta semana, mas advertiu dos riscos que a medida pode trazer para a economia.

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O governo brasileiro começou a aplicar na terça-feira uma taxa em 2% de Imposto sobre Operações Financeiras ( IOF ) sobre os capitais estrangeiros que entram no País para investimentos em renda fixa ou variável, a fim de evitar que o real continue se valorizando frente ao dólar.

"Este tipo de medida, pode dar algum espaço de manobra para evitar a valorização (da moeda). Não vejo problema em impor impostos à entrada de capitais, mas deve ser aplicado a toda entrada de capitais e não dar margem à especulação", advertiu Eyzaguirre em entrevista coletiva realizada em São Paulo.

Eyzaguirre apresentou hoje no Brasil o relatório "Panorama Econômico Regional", divulgado em Washington sobre a economia da América Latina, o qual destaca que a crise mundial custará à região mais de US$ 150 bilhões.

O funcionário, especialista no tema de controle de capitais, foi funcionário do Banco Central do Chile e ministro da Fazenda de seu país. Ele enfatizou que esse tipo de medidas não deve ser generalizada.

"O FMI não tem jurisdição sobre o controle de capitais nos países, mas temos uma apreciação, que eles abranjam todas as formas possíveis. Não é um problema ideológico, mas pragmático e como fazê-lo é um problema do Brasil", ressaltou.

Do tributo aplicado pelo Brasil estão isentos os investimentos estrangeiros diretos (IED), já que o interesse do Governo é "proteger a produção nacional, incentivar a volta de investimentos e preservar o emprego", segundo o ministro brasileiro de Fazenda, Guido Mantega.

Para conter a alta do real, que neste ano já se valorizou 33% frente ao dólar, o organismo aconselhou ao Brasil retirar parte de suas medidas de estímulo econômico.

"O Brasil é um lugar que o mercado financeiro olha com apetite e emerge com força no meio de uma situação mundial medíocre. O problema é como conduzir esse sucesso para manter o crescimento em excesso com um controle de capitais. Deve-se ter certeza de haver um sistema regulador forte", disse.

Segundo Eyzaguirre, "o Brasil deve ter capacidade institucional para (aplicar) medidas heterodoxas como impostos para a entrada de capitais".

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