O diretor-geral da Itaipu, Jorge Samek, reiterou hoje que o Brasil não permitirá alterações no tratado de Itaipu. O presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, que tomará posse em agosto, baseou sua campanha eleitoral em críticas ao tratado de Itaipu.

O ponto principal defendido pelo paraguaio é o reajuste da tarifa paga pelo Brasil pela energia excedente não utilizada pelo Paraguai.

"O presidente Lula já colocou isso com todas as letras. O tratado de Itaipu não sofrerá alterações", disse Samek, acrescentando que isso não significa que o Brasil não possa ajudar o Paraguai de outras maneiras. Samek informou que a pedido de Lula, Itaipu está investindo R$ 2 milhões na elaboração de um projeto para uma nova linha de transmissão que reforçará o transporte de energia de Foz do Iguaçu até Assunção. O empreendimento é orçado em cerca de R$ 300 milhões e, segundo Samek, poderá ser financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou pela Eletrobrás.

Samek participou hoje de audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara, que discutiu a situação de Itaipu. Samek ressaltou que a tarifa de Itaipu é justa e que o tratado traz benefícios para os dois países. Ele disse que nos últimos 20 anos o Paraguai já recebeu US$ 4,5 bilhões em termos de royalties e outros encargos pagos por Itaipu. Já o Brasil recebeu menos nesse período, cerca de US$ 3,6 bilhões. Com relação às críticas de Lugo ao acordo, Samek afirmou que todas as campanhas eleitorais do Paraguai, desde 1973, têm Itaipu como tema recorrente. "Se um candidato vai para a eleição e não coloca esse tema, ele nem precisa sair de casa".

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