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Dinheiro não chega ao campo

A liberação adicional de R$ 5,5 bilhões para o crédito rural autorizada na terça-feira pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) não resolve o problema dos produtores rurais, mas alivia a situação, disse o presidente da Comissão Nacional de Crédito Rural da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Carlos Sperotto. Segundo ele, os produtores rurais estão com dificuldade para obter financiamentos.

Agência Estado |

"No ano passado, sobraram R$ 5 bilhões da exigibilidade (porcentual dos depósitos que as instituições financeiras têm de destinar ao setor rural), que os bancos não aplicaram. Não adianta anunciar números se o produtor está inviabilizado de obter estes recursos há anos", disse.

Para ele, a classificação das operações de crédito rural na faixa de "risco alto" dificulta os empréstimos. Ontem, o Banco Central tentou minimizar o problema, ao determinar que a análise de risco das operações rurais seja feita "caso a caso" pelas instituições financeiras, o que poderia facilitar a vida dos produtores. O BC também determinou que as dívidas rurais renegociadas a partir da Lei nº 11.775/08 não serão contabilizadas no cálculo do risco, o que permite que um número maior de produtores tenha acesso ao crédito.

Para o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, a iniciativa do BC resolve o problema dos agricultores no acesso ao crédito. Mesmo assim, uma equipe do ministério visitará as regiões produtoras para "sentir o clima". Ao classificar como "razoáveis" as medidas adotadas pelo governo para garantir crédito aos produtores rurais, Stephanes disse o governo está atento à situação dos exportadores. "O governo vai adotar medidas para suprir essas necessidades porque quer garantir as exportações."

Apesar do otimismo do ministro, analistas dizem que nem mesmo a liberação de R$ 5,5 bilhões vai aliviar o quadro de escassez de financiamento. O economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, diz que o risco da atividade agrícola é um dos entraves para a liberação do dinheiro. "Com a crise, o risco da agricultura brasileira aumentou." Ele alerta que a liberação anunciada ontem pode não chegar ao campo. "É uma possibilidade, mas não está garantido."

O consultor Fernando Pimentel, da Agrosecurity, lembra que até novembro, quando entra em vigor a medida para liberar os R$ 5,5 bilhões, a maior parte da safra já estará plantada. Ele diz que 80% dos recursos necessários para financiamento da safra já foram captados junto a fornecedores, financiadores privados e sistema de crédito rural, especialmente o Banco do Brasil.

Para Pimentel, a melhor alternativa para garantir a produção agrícola seria o governo liberar recursos para as tradings, empresas que tradicionalmente financiavam o plantio. "Seria muito mais eficaz", afirma. Ele explica que uma parte dos produtores rurais está inadimplente com os bancos, mas pagou em dia suas dívidas com as tradings. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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