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O elevado déficit das transações correntes em 2009, de quase US$ 25 bilhões, preocupou muitos analistas. O sinal de alerta foi reforçado pelos dados de dezembro, quando o saldo negativo ficou em US$ 5,947 bilhões, o pior desde o início da série, em 1947.

Apesar de ser resultado de uma melhora da atividade econômica (remessa maior de lucros) e por um aquecimento do mercado interno, o resultado fez com que economistas e o próprio governo traçassem cenários muito pessimistas para as contas externas do País.

No início de janeiro, a previsão para o saldo negativo das contas externas do País era de US$ 40,85 bilhões. Hoje as previsões são de um saldo negativo de US$ 50 bilhões.

O número divulgado hoje tirou parte da preocupação com a deterioração das contas externas do País. Nossa avaliação é que encerre o ano com saldo negativo de US$ 48 bilhões, o que será quase totalmente financiado pelo investimento estrangeiro. De qualquer forma, o País possui reservas muito fortes para compensar qualquer necessidade, diz o economista do BES Investimento do Brasil, Jankiel Santos

Preocupação em 2011

O economista da MCM Consultores, Antonio Madeira, avalia ainda que o cenário atual é diferente de 2003. Naquela época, as contas externas apresentavam saldo negativo por conta do pagamento de altos juros. Agora a situação é mudou, o saldo negativo é saudável e financiado pelo investimento estrangeiro direto, diz. 

O economista da Santander Asset Management, Renato Denadai, lembra ainda que a preocupação com o déficit nas contas externas existe, de fato, em relação a 2011. Este ano, ainda está fácil financiar este déficit. O problema é 2011. É aí que as incertezas são maiores. Quando os governos começarem a retirar os incentivos e os juros nos países começarem a subir, a liquidez para os emergentes deve cair. Isso certamente terá impacto para o crescimento do País, afirma.

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