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Dilma sinaliza socorro do governo ao setor sucroalcooleiro

Ribeirão Preto, SP, 23 - A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sinalizou hoje que o governo poderá socorrer o setor sucroalcooleiro, altamente endividado e sem crédito para refinanciamentos, após um boom de expansão iniciado em 2003. A junção das crises de liquidez mundial e dos preços não remuneradores do açúcar e do álcool, muitas companhias adiaram projetos de novas unidades, o que ameaça o investimento de US$ 33 bilhões estimado pelo setor para novas usinas até 2012.

Agência Estado |

"Se ele (setor sucroalcooleiro) procurar (o governo) e mostrar onde está o problema de crédito dele, seguramente (poderá receber ajuda)", disse Dilma após palestra para empresários em São José do Rio Preto, interior paulista.

No entanto, a ministra deixou claro que o governo vai ser criterioso na possível ajuda aos usineiros e afirmou que as companhias precisam, primeiro, tentar resolver os problemas financeiros com os bancos privados, bem como solicitar que estes liberem o dinheiro captado com a redução do depósitos compulsórios junto ao Banco Central. "Nós achamos importantíssimo a presença dos bancos privados nesse momento. Achamos que os bancos privados com a liberação do compulsório têm de emprestar. Não há porque o Brasil assumir um risco de crédito que não é dele e não pode haver esse contágio por efeito de demonstração", disse a ministra.

Além da ameaça aos novos projetos, a crise financeira mundial fez com que muitas companhias chegassem a situações críticas, com a falta de capital de giro para os compromissos diários, atraso no pagamento de fornecedores de cana-de-açúcar e ainda a impossibilidade sequer de renegociação das dívidas de curto prazo.

A indústria de base do segmento de açúcar, álcool e energia fala em 30% de inadimplência ou adiamento de entregas de encomendas contratadas, o que motivou um encontro hoje na cidade paulista de Sertãozinho, principal pólo das "fábricas de usinas" do País. O encontro deve gerar uma carta elaborada por representantes de toda a cadeia sucroalcooleira, a ser entregue ao governo na próxima semana em Brasília.

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