Na abertura do Encontro Nacional de Prefeitos Eleitos pelo PT, em Brasília, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, quis provar que tem perfil do partido para se candidatar à Presidência da República, apesar da posição contrária de setores da legenda, e que está no páreo. Dilma criticou a oposição, disse que o governo tem armas para manter o ritmo de desenvolvimento do país e fez um apelo aos mais de 500 prefeitos petistas, reunidos em um hotel em Brasília, a ajudar o governo a manter programas sociais e obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

"Desta vez é diferente. Temos instrumentos, armas e sobretudo o caminho e a resposta", disse Dilma, referindo-se à reação do governo no combate à crise financeira internacional.

Sob aplausos dos participantes do encontro, Dilma comparou as medidas tomadas pelo governo para enfrentar a crise com decisões de governos passados, em momentos de turbulência. "Eles aumentavam juros estratosfericamente e davam uma paulada nos impostos", afirmou. "Hoje, podemos ter uma política fiscal diferente. Tanto é que criamos duas alíquotas diferentes no Imposto de Renda", afirmou a ministra, em uma referência às duas novas alíquotas criadas no Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), anunciadas ontem pelo governo com o objetivo de diminuir impostos e estimular o consumo. "Não quebramos (o país) e construímos as condições para não quebrar", ressaltou.

A ministra admitiu, no entanto, que a economia brasileira deve desacelerar no início do próximo ano. "Vamos dar uma pequena barrigada, mas depois retomaremos essa plataforma (de desenvolvimento). Vamos sair dessa crise mais forte do que entramos. Vivemos um processo forte de crescimento, que tem condições de ser mantido."

A ministra iniciou o discurso destacando a história do PT e a atuação dos prefeitos do partido. Ela foi aplaudida em três momentos, mas sem muita empolgação da platéia. Só no momento em que ela usou frases de efeito para falar do esforço do governo para enfrentar a crise é que animou os participantes.

Dilma disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem compromissos de reduzir custo do capital no Brasil. "Somos um governo que tem clareza, que se a população não consumir, não tem produção", afirmou. "Não vamos permitir que este efeito psicológico de medo e pânico interrompa o crescimento do País. O governo não vai permitir que sejamos contaminados por esse medo, que nasceu e é irmão gêmeo da ganância e da especulação."

Dilma disse que Lula está em uma "disputa política" para mostrar que o Brasil está em melhores condições que outros países para enfrentar a crise. Assim como costuma fazer o presidente Lula, Dilma criticou os opositores do governo, sem citar nomes. "Tem muita gente que torce para os Estados Unidos darem certo e o Brasil dar errado. Torce para o Obama (presidente eleito dos EUA, Barack Obama) dar certo e há até um oba-oba para ele dar certo. Não que estejamos torcendo contra", ressaltou a ministra.

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