Quase dois meses depois da Operação João de Barro da Polícia Federal, que identificou desvio de recursos em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, participou hoje do sorteio de 50 municípios que serão fiscalizados pela Controladoria-Geral da União (CGU). É a primeira vez, porém, que o programa vai se concentrar no raio X de recursos do PAC em saneamento e habitação.

Diante de uma platéia formada, em sua maioria, por novos analistas da CGU, Dilma garantiu que, ao contrário do divulgado, as obras do PAC estão andando no ritmo adequado e não privilegiam redutos políticos de aliados do governo. Ao final de seu discurso, a chefe da Casa Civil fez um apelo aos funcionários da Controladoria para que se empenhem na fiscalização das obras. "Com a colaboração dos senhores poderemos assegurar que esse rio corra no seu leito e não se desvie para outros fins", insistiu.

Na avaliação de Dilma, as obras do PAC ganharão mais volume a partir de agora. "O PAC está com processo de alta execução", disse. Ela admitiu, porém, que o governo precisa contar com "bons projetos e bem licitados" para não haver problemas. "Se o projeto não aparece, ficamos com meia parceria", concordou o ministro das Cidades, Márcio Fortes.

Pelos números apresentados pelo ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, o programa de fiscalização já visitou 1.401 municípios desde 2003, fez auditoria sobre R$ 9,2 bilhões repassados pela União, o que resultou no afastamento de 1.785 agentes públicos federais por improbidade administrativa. "Há riscos envolvidos em toda a transferência de recursos para outros entes federativos", comentou o ministro. Os 50 municípios que foram sorteados para a fiscalização da CGU, nas próximas duas semanas, têm mais de 500 mil habitantes. Detalhe: Minas Gerais, um dos principais alvos da Operação João de Barro, ficou fora do sorteio.

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