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Dilma e Serra não são estadistas, diz Giannetti

Economista critica eleição presidencial e teme que tanto Dilma quanto Serra, se vencerem, mudem rumos da atual política econômica

Alexa Salomão, iG São Paulo |

O economista Eduardo Giannetti da Fonseca tem uma visão crítica sobre os rumos da eleição presidencial e também sobre um eventual governo dos dois candidatos que hoje lideram as pesquisa de opinião pública, Dilma Rousseff e José Serra.

Na avaliação do economista, paira no ar a impressão de que o eleitor tem apenas dois caminhos a seguir. “Lula desenhou essa eleição como se ela fosse um plebiscito entre duas formas de governar: a dele mesmo e a de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso”, diz Giannetti. “Mas não me agrada essa polarização retrospectiva.”

Primeiramente, o economista acredita que o Brasil no atual estágio econômico precisa de “diversidade e renovação”. Precisa acima de tudo de um estadista, capaz de visualizar e traçar o desenvolvimento do país nos próximos anos. Na avaliação de Giannetti, nem Dilma, nem Serra, se encaixam no papel. “Os dois candidatos têm mais perfil de gerentes, de tocadores de obras, do que de estadistas capazes de vislumbrar o futuro do país’, diz Giannetti.

Há também que se considerar as individualidades: Dilma não é Lula, Serra não é FHC e o Brasil ingressa em outro momento econômico. Para o economista tanto Dilma quanto Serra sinalizam, cada qual a sua maneira, que se chegarem ao Palácio do Planalto podem alterar traços marcantes da política econômica adotada por seus antecessores.

“No caso de Dilma, temo a volta do capitalismo de Estado que marcou o Brasil no fim do regime militar, temo o crescimento do Estado que quer fazer tudo por ele mesmo”, diz Giannetti. A tendência desse risco vem sendo sinalizada pelas recentes iniciativas que favorecem o Estado empresário – o Estado que faz o trem bala, explora o pré-sal, recebe Olimpíadas e a Copa do Mundo, exemplifica o economista.

O fortalecimento do Estado, lembra Giannetti, ocorreu como parte do plano para salvar o país da crise financeira internacional, mas parece ter sido preservado e incorporado à rotina do governo mesmo após o país superar a fase crítica da instabilidade global. “Precisamos ter consciência de que o Estado não tem dinheiro para bancar tudo e que o capital privado pode participar de forma mais inteligente.”

Em relação a Serra, Gianette teme intervenções nas taxas de câmbio, para valorizá-la, e no Banco Central, para forçar uma redução dos juros básico da economia. “No caso de Serra, temo o voluntarismo declarado, porque não sabemos como ele se dará na prática”, diz Giannetti. “O pessoal de mercado financeiro já tem uma brincadeira para isso: diz que Serra é 4 por 3: juros a 4 e câmbio a 3.”

De acordo com o economista, há uma lógica de mercado para os atuais patamares de juros e de câmbio e que uma “violação” dessa dinâmica pode custar caro ao Brasil. “Durante o governo de FHC, Serra se opôs a práticas da política econômica que mais tarde se mostraram relevantes para a estabilização.”

E é essa estabilização, frisa o economista, que não pode ser quebrada por nenhuma forma de intervenção. “Todos os candidatos precisam ter em mente que não podemos repetir os erros do passado”, diz Giannetti. “Temos que olhar para o futuro.”

Giannetti apresentou suas reflexões na manhã desta quinta-feira em evento fechado que traçou tendência de mercado para 2010. O encontro foi organizado pela Cosan, maior fabricante de açúcar e de etanol do país, e na platéia estavam empresários e executivos do setor de alimentos.

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