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A inflação de agosto na cidade de São Paulo foi menor para as famílias com poder aquisitivo mais baixo dentro dos parâmetros estabelecido pelo Dieese ao calcular o Índice do Custo de Vida (ICV). No mês passado, enquanto o ICV pleno fechou em 0,32% - a taxa desacelerou em 0,55 ponto porcentual ante a alta de 0,87% em julho -, o índice para as famílias com renda mensal de R$ 377,49 ficou em 0,05%, numa desaceleração de 1,17 ponto porcentual ante a variação de 1,22% no mês anterior.

Para a coordenadora do índice, Cornélia Nogueira Porto, essa taxa quase estável da inflação dos mais pobres está relacionada, sobretudo, à queda de 0,29% no preço dos alimentos. Como as despesas das pessoas que se encaixam no estrato mais baixo de renda têm relativamente despesas maiores com alimentos, desta vez elas acabaram sendo beneficiadas.

Além da queda dos alimentos como fator de alívio para o orçamento dos mais pobres, eles ainda se beneficiaram pela estabilidade na tarifa de ônibus, outro segmento que consome parte substancial da renda destas famílias.

No sentido oposto, a inflação para os mais ricos - de acordo com os critérios do Dieese, os que têm renda mensal a partir de R$ 2.792,90 -, a inflação foi de 0,44%. Isso ocorreu porque o subgrupo transporte individual subiu 0,36% pressionado pelo álcool combustível. Os gastos com Educação e Leitura (0,79%) que também pesam no orçamento dos mais ricos, sofreram as influências dos aumentos dos cursos universitários (2,34%) e pré-vestibulares (1,91%). Além disso, os cigarros da Souza Cruz, cujo reajuste total foi de 5%, subiram em agosto 0,94%. Neste caso, no entanto, os aumentos atingem tanto os ricos quanto os pobres.

Para as famílias do estrato intermediário de renda - as que recebem em média, R$ 934,17 por mês -, a inflação de agosto subiu 0,19%, taxa que mostra uma desaceleração de 0,76 ponto porcentual na comparação com a alta de 0,95% em julho. Estas famílias acabam sofrendo com as pressões que atingem de forma distinta as mais pobres e as mais ricas.

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