Paris, 11 nov (EFE).- O Governo francês anunciou hoje a detenção de dez pessoas, supostamente de um grupo de extrema-esquerda, pelos atos de sabotagem registrados nos últimos dias contra a Sociedade Nacional de Ferrovias da França (SNCF), que causaram grandes atrasos em várias linhas.

Estas informações foram divulgadas pela ministra do Interior francesa, Michèle Alliot-Marie, em uma entrevista conjunta com o presidente da SNCF, Guillaume Pepy.

Após lembrar que quando assumiu o ministério do Interior alertou do risco de "um ressurgimento violento da extrema esquerda radical", a ministra afirmou que os detidos estão vinculados a um movimento anarquista de extrema-esquerda e que nenhum deles trabalha na SNCF.

Segundo as investigações realizadas até agora, que o presidente da companhia qualificou de "exemplares", não há "vínculos" entre as sabotagens e os funcionários da companhia ferroviária, declarou Pepy.

Após afirmar estar aliviado pelo fato de que não haja nenhum funcionário envolvido, o presidente da SNCF disse que "há mais de um milhão de pessoas na França que se interessam pela ferrovia e seu funcionamento" e que, portanto, não é estranho que os sabotadores tenham os conhecimentos necessários para realizar sua ação.

A rede ferroviária francesa, acrescentou, "é um alvo para todos os grupos que tentam impedir que a sociedade funcione".

As investigações continuam e não se descartam novas detenções em diferentes regiões do país.

Alliot-Marie parabenizou os policiais que realizaram esta operação "em vários pontos do país".

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, também divulgou um comunicado no qual expressou sua satisfação pelos "rápidos progressos" conseguidos nesta operação e pela "eficácia e a mobilização" das forças policiais.

Os mais graves incidentes aconteceram no sábado passado, dia em que se registraram atrasos de várias horas nas linhas ferroviárias do leste, do norte e do sudeste da França que afetaram milhares de passageiros.

A SNCF divulgou que mais de 160 trens foram afetados pela colocação de barras metálicas nos cabos de alimentação elétrica dos quais os comboios obtêm a energia.

Os atrasos afetaram principalmente as linhas do Trem de Alta Velocidade (TGV) que liga a capital francesa ao norte do país e, além disso, conectam Paris a Londres, Bruxelas e Amsterdã, em direção ao leste e ao sudeste do país.

O presidente da SNCF, Guillaume Pepy, classificou a colocação de objetos nos cabos de alimentação elétrica de "atos irresponsáveis" e lembrou que seus autores, se forem identificados e processados, podem ser condenados a penas de até três anos de prisão. EFE pi/fh/fal

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