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Desigualdade precisa cair por 18 anos para Brasil atingir média global

RIO - O Brasil precisa de mais 18 anos de redução de desigualdade em ritmo semelhante ao observado entre 2001 e 2007 para que a renda per capita dos 20% mais pobres atinja a mesma posição no ranking mundial que a renda per capita dos brasileiros em geral. A conclusão faz parte do estudo Pobreza e mudança social, divulgado hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2007 (Pnad).

Valor Online |

De acordo com o estudo, a renda per capita anual dos brasileiros no ano passado foi de US$ 8,4 mil, o que deixa a renda per capita de 61% dos países abaixo desse patamar. Quando o ranking engloba apenas os 20% mais pobres de cada país, a renda per capita dos brasileiros é de US$ 1,2 mil por ano, valor que supera apenas 46% das nações analisadas.

"Nunca na história brasileira a gente teve uma queda de desigualdade tão persistente e tão acelerada. A má notícia é que a gente vai precisar de uma queda dessas por mais 18 anos para chegar a um nível de desigualdade comparável ao resto da humanidade", frisou Ricardo Paes de Barros, economista do Ipea.

Entre 2001 e 2007, a renda familiar per capita dos 10% mais pobres no Brasil subiu 7% ao ano, enquanto a taxa de crescimento da renda familiar per capita dos 10% mais ricos foi de apenas 1,1% ao ano. Segundo Paes de Barros, o avanço da renda dos mais pobres aconteceu a uma velocidade semelhante ao aumento da renda na China, enquanto a alta entre os 10% mais ricos se deu a velocidade similar ao aumento da renda no Senegal.

"Talvez a velocidade de redução da desigualdade, com um grupo crescendo como a China e o outro como o Senegal, seja o mais rápido que você possa esperar", afirmou Paes de Barros.

A redução da desigualdade, medida pelo Coeficiente de Gini, caiu a um ritmo de 1,2% ao ano entre 2001 e 2007. No período, o Brasil passou de um cenário em que apenas 5% dos países tinham Gini superior ao brasileiro, para um cenário em que 10% dos países têm Gini maior. Entre 2001 e 2007 o Gini nacional caiu de 0,593 pontos para 0,552 no ano passado, sendo que, quanto mais próximo de zero, menos desigual é o país. O índice do ano passado é o menor registrado na história brasileira.

Como resultado da redução de desigualdade, a pobreza extrema também caiu no país. Entre 2001 e 2007, o percentual de brasileiros que vivem abaixo da linha de pobreza - que tem renda per capita mensal até R$ 87, em média, em valores de 2007 - caiu de 17% para 10,2%. Paes de Barros ressaltou que esses números garantem ao país o cumprimento da meta do milênio, das Nações Unidas, que previa a redução da pobreza extrema pela metade até 2015, de acordo com a fatia da população nesse estágio em 1990.

"O Brasil bate tranqüilamente a meta do milênio e seguramente hoje já tem pobreza de um dígito. Com o crescimento e a redução de desigualdade ao longo de 2008, com certeza hoje o Brasil já tem pobreza de um dígito", acrescentou Paes de Barros.

"(Rafael Rosas | Valor Online)"

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