RIO - A taxa média de desemprego no primeiro trimestre, de 7,4%, foi a menor para o período entre janeiro e março desde o início da série histórica, em 2003. O resultado mostra uma queda contínua no desemprego no primeiro trimestre desde 2004, quando a taxa registrou 12,2%.

Os dados constam da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os resultados de março consolidaram o bom momento do mercado de trabalho no primeiro trimestre. A desocupação no período, de 7,6%, foi a menor para o mês desde o início da série, em março de 2002, e significou uma queda de 5,3 pontos percentuais desde então. A proporção de ocupados dentro da População em Idade Ativa (PIA), de 52,7%, foi a maior da série. Apesar dos bons números, a taxa de desocupação foi considerada estável pelo IBGE em relação a fevereiro, quando correspondeu a 7,4%. O gerente da PME, Cimar Azeredo, ressaltou que o atual período é de"ebulição do mercado de trabalho", com trabalhadores temporários recentemente dispensados ainda à procura de ocupação. "Houve redução da inatividade, o que pode ser uma das causas para o desemprego não ter caído. É uma característica de final de primeiro trimestre e meados de segundo trimestre", frisou Azeredo."O cenário de março de 2010, em relação à série histórica da PME, é de um quadro satisfatório", acrescentou. O técnico do IBGE destacou o bom desempenho do grupamento serviços prestados a empresas, que absorveu 97 mil postos de trabalho em março, um crescimento de 2,9% na comparação com fevereiro. Em relação a março do ano passado, foram 252 mil vagas a mais, alta de 7,9%. "Esse setor é que tem absorvido a procura por emprego e tem participação expressiva no processo de formalização do mercado de trabalho, já que a carteira de trabalho está muito presente nos serviços prestados às empresas", frisou Azeredo. O emprego com carteira no setor privado cresceu em 22 mil unidades entre março e fevereiro, uma alta de 0,2%, considerada estabilidade pelo IBGE. Na comparação com março do ano passado, foram 668 mil postos com carteira a mais, um crescimento de 7,2%. Em contrapartida, a indústria segue claudicante, com queda de 10 mil postos de trabalho entre março e fevereiro. Azeredo pondera que, nas comparações anuais já há uma certa retomada do crescimento, com 117 mil vagas a mais que em março do ano passado, um avanço de 3,4%. "Temos uma indústria que se recupera, mas ainda tímida frente ao crescimento anterior à crise", disse Azeredo. Já o rendimento, de R$ 1.413,40 em março, subiu 0,4% ante fevereiro e 1,5% na comparação com março do ano passado. O resultado é o melhor para um mês de março desde o início da série, em 2002, mas ainda está abaixo do recorde da série histórica, os R$ 1.415,74 de julho de 2002. (Rafael Rosas | Valor)

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