O mercado de trabalho metropolitano iniciou o ano aquecido. A taxa de desemprego de 7,2% apurada pelo IBGE em janeiro foi a menor para o mês desde o início da série histórica da pesquisa, em 2003.

"O cenário econômico está bastante favorável e isso está refletindo nos resultados do mercado de trabalho", afirmou o gerente da pesquisa, Cimar Azeredo.

Ele avalia que, segundo os dados de janeiro, fica claro que o mercado de trabalho "deslanchou" após manter certa estabilidade no ano passado. A taxa foi superior à apurada em dezembro (6,8%), como costuma ocorrer em todo início de ano, mas foi bem inferior à registrada em janeiro do ano passado, quando chegou a 8,2%.

Azeredo argumentou que o aumento no número de desocupados, que ocorre normalmente em janeiro, com a dispensa de funcionários nos trabalhos temporários de fim de ano, foi o menor para o mês (6%) desde 2006. Em janeiro do ano passado, por exemplo, o aumento nesse indicador havia chegado a 20,6%.

"Aumentar o número de desocupados em janeiro é natural. O diferencial é a intensidade. E o crescimento menor de janeiro deste ano mostra um cenário favorável para o mercado de trabalho, traz uma boa expectativa", afirmou o gerente.

RECORDE
Ele destacou ainda que o número de desocupados nas regiões pesquisadas registrado em janeiro (1,69 milhão) é o menor para o mês na série histórica, enquanto o total de ocupados (21,6 milhões) é o maior, também para o mês, da série.

Outro exemplo do bom desempenho do mercado de trabalho citado pelo técnico é o aumento no número de trabalhadores com carteira assinada, de 0,7% em janeiro ante dezembro e de 3,5% na comparação com janeiro de 2009. Das 451 mil vagas geradas, comparativamente a igual mês do ano passado, 333 mil foram no mercado formal.

Analistas do mercado de trabalho também avaliaram positivamente os resultados e projetaram evolução positiva para os próximos meses. A economista do Santander Luiza Rodrigues considera que os dados confirmam um cenário favorável para o mercado de trabalho este ano, com geração de vagas puxadas pelos segmentos de comércio, serviços e construção civil. O próprio IBGE, comentou Luiza, contribuirá significativamente para o aumento da ocupação, com a contratação de 190 mil recenseadores para o Censo 2010.

Luiza projeta uma taxa de desemprego de 7,4% na média deste ano que, se confirmada, será a menor dos últimos 15 anos. "É uma bela queda em relação à taxa do ano passado (8,1%), um cenário excelente", afirma.

Ela destaca como fundamentos para a estimativa o aumento das vendas do varejo, um cenário ainda favorável para os juros e, ainda, a disponibilidade de crédito e o aumento da renda.

Alexandre Andrade, da Tendências Consultoria, chama a atenção para o aumento de 2,1% no número de ocupados em janeiro ante igual mês do ano anterior."Este resultado evidencia um cenário favorável para o mercado de trabalho, principalmente em termos de aumento da população ocupada", avalia.

RENDA
O rendimento médio real dos trabalhadores nas seis regiões metropolitanas pesquisadas ficou em R$ 1.373,50 em janeiro, 0,4% inferior a igual mês do ano passado. Segundo Azeredo, essa queda pode ter sido provocada pelo aumento da inflação no período.

Na comparação com dezembro de 2009, a renda real subiu 1,1%. De acordo com o gerente, esse aumento refletiu a dispensa de trabalhadores temporários, que ganham menos, no período.

Ele avalia que os resultados do rendimento em janeiro são positivos e mostram a continuidade do aumento do poder de compra dos trabalhadores metropolitanos. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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