Por Rodrigo Viga Gaier e Vanessa Stelzer RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A taxa de desemprego no Brasil caiu mais que o esperado em setembro, mas a composição do dado sugere que o mercado de trabalho ainda não se recuperou totalmente dos efeitos da crise global.

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O desemprego caiu para 7,7 por cento, mesmo patamar de setembro de 2008 e abaixo dos 8,1 por cento de agosto, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nesta quinta-feira. Analistas ouvidos pela Reuters previam 8,1 por cento.

A taxa foi a menor para um mês de setembro na série histórica iniciada em 2002 e a mais baixa desde dezembro do ano passado.

Analistas alertaram que a pequena alta do número de ocupados mostra que ainda há fraqueza na economia, enquanto o IBGE ressaltou a deterioração da formalização. Além disso, a taxa média de desemprego no ano está em 8,4 por cento, acima dos 8,1 por cento de 2008.

O economista do IBGE, Cimar Pereira Azeredo, comentou que a queda de um mês para o outro foi significativa, com a entrada de 76 mil pessoas no mercado de trabalho, mas ponderou que a recuperação ainda precisa se consolidar.

"A queda era esperada e condizente com a época do ano. (Mas) para chamar isso de recuperação era preciso uma queda maior da taxa e uma ocupação mais forte", ressaltou.

Diego Donadio, analista sênior para América Latina do BNP Paribas, calculou que, se ajustada sazonalmente, a entrada de 76 mil postos equivale ao fechamento de 50 mil postos, acima da perda de 22 mil empregos de agosto.

Outro ponto negativo do relatório vem, segundo Flávio Serrano, economista sênior do BES Investimento, da dinâmica entre ocupados e desocupados. "A população ocupada subiu pouco e a desocupada caiu bem... o que pode significar um aumento do desalento."

Segundo o IBGE, a ocupação avançou 0,4 por cento de um mês para o outro e 0,6 por cento ante setembro de 2008, e 7 mil pessoas estavam em setembro em condição de desalento, ou seja, desistiram de procurar emprego porque o mercado de trabalho está fraco ou porque a economia está ruim.

"No geral, o dado do mercado de trabalho não muda nossa visão de que a dinâmica continua fraca. O patamar do emprego está, na nossa estimativa, 0,7 por cento pior que a tendência", disse Donadio.

CRISE AFETA FORMALIZAÇÃO, MAS RENDA CRESCE

Azeredo, do IBGE, citou mais um ponto fraco: a formalização está se deteriorando nos últimos meses. Em setembro, houve queda de 0,3 por cento no emprego com carteira, o que representa perda de 29 mil postos. Ante setembro de 2008, houve crescimento da formalização de 1,4 por cento, porém a taxa ficou abaixo da variação da população em idade ativa.

"Isso representa uma piora, visto que o crescimento da formalidade atingiu há alguns meses mais de 10 por cento. A qualidade do emprego está afetada", avaliou. "Isso é resultado de um cenário econômico desfavorável e tem a ver com a crise."

O percentual de funcionários públicos, empregos domésticos e empregados de empresas privadas, também chamado de nível de formalização, atingiu 54,9 por cento, menor taxa do ano.

O IBGE acrescentou que o rendimento do trabalhador ocupado avançou 0,6 por cento em relação a agosto e 1,9 por cento frente ao mesmo mês do ano passado, totalizando 1.346,70 reais e se aproximando do recorde observado em 2002.

"Isso é efeito da inflação menor... o rendimento é um resultado positivo da pesquisa de setembro", disse Azeredo.

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