O mercado de trabalho nas seis principais regiões metropolitanas do País foi marcado, em junho, por queda na desocupação e recordes no índice de formalização e de ocupação. Mas o aumento do rendimento anual dos trabalhadores foi menor.

A taxa de desemprego de 7,8%, divulgada ontem pelo IBGE, é a menor para um mês de junho em seis anos. No primeiro semestre do ano, a taxa média foi de 8,3%, também a menor para o período desde 2002.

O gerente da pesquisa, Cimar Azeredo, disse que o vigor dos resultados de junho mostra que a alta na inflação e nos juros ainda não afetou o mercado de trabalho. "Alguns economistas dizem que, com a inflação e os juros, haverá desaceleração nos resultados do mercado de trabalho. Mas a pesquisa mostra ainda um mercado com bastante força, especialmente no que diz respeito à geração de postos de trabalho", afirmou.

A analista Ariadne Vitoriano, da Tendências, concorda que os dados divulgados mostram um mercado de trabalho "bastante aquecido". O número de ocupados aumentou 4,5% ante junho de 2007, com a abertura de 932 mil vagas nas seis regiões. Houve queda de 17% no número de desocupados (sem trabalho e procurando emprego), o que significa menos 378 mil desempregados.

Azeredo destacou que, apesar dos bons resultados, ainda é muito alto o número de 1,84 milhão de desocupados. Mesmo assim, ele comemorou o aumento do índice de ocupação, que considerou como "a melhor notícia" trazida pela pesquisa.

De acordo com o IBGE, o nível de ocupação (porcentual de ocupados em relação à população de 10 anos ou mais de idade) atingiu um nível recorde no primeiro semestre de 2008, chegando a 52%, o maior desde o início da nova série histórica da pesquisa, iniciada em 2002.

No primeiro semestre de 2007, o nível de ocupação era de 51%. No ano de 2003, o pior período desde o início da série, era de 49,8%. Para Azeredo, esses dados "mostram a força do mercado de trabalho, que vem reagindo desde 2005 e se afirmando em 2008, quando há uma geração de postos de trabalho como não se via nos últimos anos".

Formalização

O índice de formalização também foi recorde no primeiro semestre. A participação dos trabalhadores com carteira assinada e funcionários públicos no total dos ocupados nas seis regiões subiu de 56% no primeiro semestre de 2007 para 58% em igual período de 2008. Em 2003, pior ano para o mercado de trabalho da nova série histórica iniciada em 2002, a fatia dos formais era de 54%.

Segundo Azeredo, o aumento da formalidade é positivo para a evolução do mercado de trabalho e para os resultados da Previdência, já que aumenta o número de contribuintes. "Não é um aumento que ocorreu de uma hora para outra, é algo que vem se sustentando, ainda que o porcentual de informais ainda seja muito elevado", disse.

O dado preocupante em junho diz respeito à "estabilidade" (-0,3%) na renda média real dos trabalhadores ante maio e o aumento de 1,7% na comparação com junho do ano passado, bem inferior, por exemplo, aos 2,7% de junho de 2007 ante igual período do ano anterior.

Segundo Azeredo, os resultados da renda confirmam uma desaceleração no crescimento do poder de compra dos trabalhadores. Ele explica que o aumento da inflação é um dos principais fatores, mas não o único. Ele cita também a possibilidade de os trabalhadores não estarem sendo bem-sucedidos nas negociações de reajustes.

Além disso, diz ele, a entrada de mais pessoas no mercado costuma puxar a renda para baixo, já que os salários iniciais são inferiores aos pagos a quem trabalha há mais tempo. Os dados semestrais confirmam a desaceleração. No primeiro semestre de 2008, a renda média real foi de R$ 1.220,94, com aumento de 2,3% ante igual semestre de 2007. No primeiro semestre de 2007, o aumento foi de 4,4% ante igual período de 2006.

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