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A crise econômica mundial se transforma em uma profunda crise social e faz explodir a previsão do número de pobres. Se a recessão continuar a se deteriorar, entre 30 milhões e 51 milhões de pessoas perderão seus empregos até o fim do ano, em comparação aos números do final de 2007.

Além disso, outras 200 milhões de pessoas que conseguirão manter seus empregos passarão a ganhar menos de US$ 2,00 por dia e cairão abaixo da linha da pobreza.

Os dados são da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que ontem publicou sua nova estimativa de desemprego no mundo. Mulheres e imigrantes serão os primeiros a serem demitidos. A alta no número de desempregados é o maior desde que a ONU iniciou seu registro da situação dos trabalhadores no mundo, em 1991.

"Já estamos vivendo uma crise de empregos e ela também é mundial", afirmou Juan Somavia, diretor da OIT. "As classes médias estão se enfraquecendo e os impactos políticos e em termos de segurança são graves", alertou. Mas a entidade admite que, em termos percentuais, as demissões durante a Grande Depressão nos anos 30 ainda foram superiores. Naqueles anos, 21% da população economicamente ativa dos Estados Unidos perdeu seu emprego.

Pela hipótese mais otimista, a alta do desemprego seria de 18 milhões de pessoas em 2009. Mas a projeção já foi abandonada, pois se baseava em um crescimento do PIB mundial de 2,2% em 2009. O próprio Fundo Monetário Internacional (FMI) acredita que essa previsão não deve se concretizar.

Um cenário mais realista elaborado pela OIT aponta para uma alta do desemprego de pelo menos 30 milhões de pessoas entre o fim de 2007 e 2009. O período corresponderia à pior fase da crise. Esse cenário, porém, apenas seria válido se os pacotes de incentivos dos governos e as medidas para resgatar as economias começarem a dar resultados positivos.

Mas, se a situação econômica continuar a se deteriorar, o desemprego mundial passará de 5,7% em 2007 para 7,1% em 2009, o que significará 51 milhões de novos desempregados. "A situação é dramática e a tensão será alta. Não estamos sendo alarmistas, mas realistas", afirmou Somavia.

A previsão mais pessimista aponta que 230 milhões de pessoas no mundo viverão sem trabalho. Em 2007, a taxa era de 179 milhões, ante 190 milhões em 2008. O cenário poderia de fato ocorrer se, simultaneamente, as maiores economias do mundo sofrerem uma forte desaceleração, como parece que está ocorrendo.

Nos países ricos, empresas estão promovendo amplas estratégias de reestruturação para enfrentar a crise. Com isso, não economizam nos cortes de mão de obra. Microsoft, Corus, Philips, BHP, Citibank e outras anunciaram cortes nos últimos dias. Já nos países emergentes, a crise está atingindo exportadores e os setores que mais dependem do comércio internacional, como os produtores de commodities.

Para Somavia, os governos precisam começar a dar uma resposta às famílias. "A atual crise pode sim levar a uma crise social", afirmou.

Na América Latina, o pior cenário indica que 23 milhões de pessoas não terão trabalho até o fim deste ano, 4 milhões a mais do que no ano passado. Em 2008, a taxa de desemprego chegou a 7,3% na região, com 20 milhões de desempregados. Há dez anos, a taxa era de 8,3%. Se os pacotes de ajuda derem resultado, a região terminaria o ano com 22 milhões de pessoas desempregadas.

O pior cenário é o dos países ricos, onde de fato surgiu a recessão. Se a crise se deteriorar, o número total de desempregados passará de 29 milhões para 40 milhões nos Estados Unidos, Europa e Japão. Já entre 2007 e 2008, a taxa de desempregados passou de 5,7% para 6,4%. Em 2009, chegaria a 7,9% no pior cenário. Só no ano passado, 3,5 milhões de pessoas perderam seus empregos nos países ricos.Para este ano, a previsão é de que outros 7 milhões perderiam seus postos de trabalho. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.