SÃO PAULO - As bolsas de valores dos Estados Unidos despencaram ontem, registrando a maior queda percentual acumulada em dois dias desde outubro de 1987, com perspectivas corporativas decepcionantes e fracas vendas de grandes varejistas alimentando temores de uma intensificação da desaceleração econômica. O índice Dow Jones perdeu 4,85%, a 8.695,79 pontos.

O Standard & Poor´s 500 despencou 5,03%, a 904,88 pontos. O Nasdaq tombou 4,34%, a 1.608,70 pontos.

Ressaltando as preocupações sobre os fracos dados dos consumidores na chegada da temporada de festas, cadeias de varejistas divulgaram os piores dados de vendas mensais em três décadas à medida que os consumidores, atingidos pela crise financeira, cortaram seus gastos em outubro.

A Targer e outras varejistas divulgaram uma queda maior do que a esperada nas vendas, derrubando suas ações em 6%. O índice de varejistas afundou 5,4%.

Investidores cautelosos já se preparavam para os dados do emprego desta sexta-feira, que deve ressaltar ainda mais o enfraquecimento da economia.

O humor voltou a se deteriorar nos mercados globais e as bolsas européias, que já tinham caído bastante na quarta-feira, reforçaram o tombo nesta jornada. Nem mesmo as reduções de juro na região contribuíram para afastar os temores de recessão ou, pelo menos, de forte desaceleração após a crise financeira.

O FTSE-100, de Londres, fechou em baixa de 5,70%, para 4.272 pontos. Em Frankfurt, o DAX cedeu 6,84%, a 4.813 pontos. O CAC 40, de Paris, declinou 6,38%, para 3.387 pontos. O índice de blue chips Eurofirst 300 recuou 5,78%.

Esse temor de diminuição de crescimento da atividade global fez com que ações de empresas de matérias-primas caíssem bastante. Os papéis da ArcelorMittal caíram 19,12% em Paris e as da mineradora Vedanta recuaram 20,54% no mercado londrino. Ambas as empresas já mostraram resultados baixos no último trimestre.

O corte inesperado de 1,5 ponto percentual na taxa de juro da Inglaterra, para 3% ao ano, não eliminou o mau humor, sobretudo depois que as bolsas em Wall Street já abriram em forte queda. Também reduziram a taxa de juros, em 0,50 ponto percentual, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco Nacional da Suíça.

(Valor Econômico, com agências internacionais)

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