Redação Central, 11 out (EFE).- O pânico e a desconfiança tomaram conta das bolsas de valores e ofuscaram as medidas de resgate adotadas por Governos e autoridades monetárias para atenuar a crise financeira, em uma semana que acabou com os principais mercados da Europa registrando quedas de mais de 21%.

Essa sexta-feira passará para a história por ser uma data na qual muitas bolsas registraram recordes de quedas, como a Bolsa de Madri, que teve a maior queda de sua história (9,14%). Assim, o mercado espanhol superou os desabamentos das bolsas de valores durante a crise da URSS em 1991 e da "segunda-feira negra" na Bolsa de Nova York em 1987.

A Bolsa de Paris fechou em queda de 7,73% da sexta-feira, perda semelhante ao do índice DAX 30 da Bolsa de Frankfurt, que caiu 7,01%. A Bolsa de Londres fechou em queda de 8,85%, enquanto a Bolsa de Milão perdeu 7,14% ontem.

A crise financeira e suas conseqüências sobre as economias dos dois lados do Atlântico provocaram as quedas mais significativas dos mercados de renda variável nos últimos anos.

Na semana, o Ibex-35 da Bolsa de Madri acumulou queda de 21,20% e voltou ao nível de abril de 2005, após viver a pior semana desde sua criação, enquanto o CAC-40 da Bolsa de Paris teve perda semanal de 22,16%. O DAX 30 da Bolsa de Frankfurt e o S&P/MIB da Bolsa de Milão acumularam perda de 21,6%, e o FTSE-100 da Bolsa de Londres teve queda de 21,05% no total da semana.

As bolsas européias começaram a semana em baixa devido à preocupação sobre a crise financeira e ignoravam o plano de resgate do sistema financeiro americano aprovado na sexta-feira anterior.

Enquanto isso, o Governo alemão e os bancos privados voltavam a agir a favor do Hypo Real Estate.

Os mercados europeus registraram as maiores quedas dos últimos anos na segunda-feira, com quedas superiores a 10% em alguns momentos.

Na terça-feira, a maior parte das bolsas européias manteve as perdas moderadas e viveu um novo dia de incerteza e volatilidade, apesar das recorrentes injeções de liquidez dos bancos centrais. A Islândia interviu, nacionalizando bancos, e a União Européia estabeleceu novas garantias para os poupadores.

Além disso, os mercados souberam que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) tinha decidido comprar dívida empresarial e que o Banco Central Europeu (BCE) aumentaria suas injeções de liquidez.

Na metade da semana, os investidores viram os principais bancos centrais do mundo cortando a taxa básica de juros, medida que não restaurou a confiança nos mercados internacionais, que voltaram a cair.

O Fed, o BCE e os bancos centrais da Inglaterra, Suíça, Suécia e Canadá decidiram o corte coordenado de juros, medida à qual se juntaram depois outras autoridades monetárias, como a da China.

O Governo londrino destinará 62 bilhões de euros para estabilizar o sistema financeiro do Reino Unido, dinheiro que servirá para comprar ações nos principais bancos do país.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) não contribuiu para acalmar o ambiente, pois acredita que a economia mundial caminha à beira da recessão. O FMI reduziu suas previsões de crescimento de 3,9% para 3% e previu a estagnação de economias, como a da Alemanha, o que contribuiu para uma nova queda generalizada das bolsas.

Os mercados europeus voltaram às perdas na quinta-feira, enquanto o BCE anunciou que oferecerá nos leilões semanais de refinanciamento toda a liquidez que os bancos precisarem, a uma taxa de juros fixa de 3,75%.

No entanto, essa medida, a decisão da Islândia de nacionalizar o maior banco do país, o apoio ao Dexia e as medidas coordenadas entre França e Alemanha para aliviar a crise não serviram de rede para os mercados.

As fortes quedas foram protagonistas do pregão nas bolsas européias, arrasadas por uma maré de vendas e atingidas pela desconfiança diante do efeito das medidas de resgate.

Os retrocessos não atingiram só o setor bancário, mas, de modo indiscriminado, afetaram muitos setores das bolsas de valores, de modo que as empresas energéticas, as de serviços e comunicações e de bens registraram fortes quedas, enquanto a abertura em negativo de Wall Street acabou contaminando as bolsas européias.

A esperança dos mercados está agora na reunião que será realizada neste fim de semana pelos ministros do Grupo dos Sete (G7, Estados Unidos, Canadá, Japão, França, Itália, Alemanha e Reino Unido). EFE ads/an

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