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Desafio de governo será adotar política de negociação

Depois da rejeição do Senado a sua proposta de aumento de impostos agrícolas, a presidente argentina, Cristina Kirchner, e seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, enfrentarão um novo desafio: governar com base na negociação, e não no confronto. A afirmação é de analistas argentinos, para quem a crise com os ruralistas deixou Cristina - que ainda tem mais de três anos de mandato a cumprir - sem a hegemonia usufruída pelo marido durante seus quatro anos de governo (2003-2007).

Agência Estado |

Para o analista político Rosendo Fraga, do Centro de Estudos Nueva Mayoría, o primeiro passo para o desmantelamento do "hiperpresidencialismo" dos Kirchner começou ontem, quando o Congresso assumiu seu protagonismo ao rejeitar o projeto de Cristina.

O colunista político Joaquín Morales Solá, do jornal La Nación, concorda. "O kirchnerismo, tal como conhecemos até agora, terminou. O destino do governo dependerá de sua capacidade de buscar consenso", afirma.

Para ele, a adaptação às novas circunstâncias será difícil para os Kirchner. "Eles nunca adotaram as práticas normais da política, tanto na província deles, Santa Cruz, quanto no governo federal."

Segundo a socióloga e analista de opinião pública Graciela Römer, o destino do governo depende muito de em qual setor Cristina buscará apoio daqui para frente. "Se recorrer aos falcões, mostrará falta de capacidade de perceber a polarização do país. Mas, se recorrer às pombas, terá mais chances de mostrar disposição para o consenso e de melhora institucional, dando maior peso ao Parlamento", afirmou.

Dissidência

Graciela afirma que os setores mais beneficiados pela disputa com o casal presidencial foram os "rebeldes" do peronismo - entre eles o ex-presidente Eduardo Duhalde e o ex-governador de Córdoba José Manuel de la Sota. Segundo a socióloga, eles devem fazer oposição ao casal Kirchner nas eleições parlamentares do próximo ano - com grandes chances de sucesso - e nas eleições presidenciais de 2011.

Outro grupo que se fortaleceu na crise foram os líderes ruralistas, cujo apoio já está sendo cobiçado pela oposição. "Apesar de afirmarem que não pretendem formar um partido, os ruralistas serão atores importantes daqui para frente na política argentina", afirmou Graciela.

"Inspirados em seu sucesso, outros setores econômicos e empresariais também devem organizar rebeliões fiscais contra o governo", disse o diretor do departamento de Sociologia da Universidade de Buenos Aires, Lucas Rubinich. "É um perigo em potencial."

Mudanças

Como providências imediatas, o governo de Cristina deve realizar em breve algumas mudanças em seu gabinete. Um dos mais cotados para sair é Alberto Fernández, chefe do gabinete ministerial e braço direito da presidente na área política.

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