SÃO PAULO - Os alimentos deram a maior contribuição para a desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que passou de 0,74% em junho para 0,53% em julho. O grupo alimentação e bebidas, que havia subido 2,11% em junho, avançou 1,05% no mês passado. A desaceleração dos alimentos, no entanto, ainda não é considerada uma tendência pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    "Não sei ainda se é uma tendência. A queda das commodities no mercado internacional ainda não está sustentada" , frisou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de índices de preços do IBGE.

    Para a técnica, os indícios dão conta que medidas tomadas pelo governo, como a redução do imposto sobre o trigo e o anúncio do plano nacional da safra agrícola e pecuária, além das boas previsões para a safra brasileira no ano que vem, podem ter influenciado a desaceleração dos produtos alimentícios em julho.

    Apesar da desaceleração, a pressão dos alimentos ainda é grande nos índices acumulados no ano e nos últimos 12 meses. Dos 20 principais impactos no IPCA entre janeiro e julho - que responderam por 2,75 ponto percentual dos 4,19% acumulados pelo índice - nove vêm do setor de alimentos e bebidas, incluindo os três primeiros: refeição, com alta de 9,84% e contribuição de 0,38 ponto percentual, carnes, com 14,93% e contribuição de 0,31 ponto, e pão francês, com 20,82% e 0,22 ponto, respectivamente.

    De acordo com Eulina, uma alta de 0,92% dos alimentos em agosto já será suficiente para que o grupo supere os 10,79% registrados ao longo de 2007.

    Para agosto, as principais pressões já conhecidas sobre o IPCA virão do reajuste de 12,8% de água e esgoto no Rio de Janeiro a partir de 1º de agosto; da maior parte do reajuste médio de 3% da telefonia fixa a partir de 24 de julho; do restante da alta de 8,63% da energia elétrica em São Paulo a partir de 4 de julho; e de 7,5% de reajuste das tarifas de correio em 1º de agosto.

    Apesar da desaceleração de julho, o IPCA em 12 meses atingiu 6,37%, na maior taxa desde os 6,57% de julho de 2005. Para superar o teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC), de 6,5%, a taxa em agosto deverá atingir 0,59% no mês que vem, enquanto o centro da meta, de 4,5%, poderá ser superado entre janeiro e agosto caso a taxa do mês que vem chegue a 0,29%.

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