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Desaceleração do Brasil será menor, diz Meirelles

BASILÉIA - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou ontem que a desaceleração da economia brasileira é algo que tem que ser levado muito a sério , mas que ela terá uma dimensão menor do em outras economias emergentes. Ele saiu ainda mais convicto disso ao participar da avaliação da situação econômica global com as principais autoridades monetárias do planeta, no Banco de Compensações Internacionais (BIS), que constataram o aprofundamento da crise também nos emergentes.

Valor Online |

Meirelles destacou que o país entrou por exemplo na crise com uma demanda doméstica elevada num momento em que a demanda internacional cai. ? ? É uma vantagem grande neste momento ter um crescimento liderado pela demanda doméstica e não pela demanda externa ? ? , disse.

Ele pediu para investidores e consumidores brasileiros levarem em conta a diferença de desempenho do país a fim de " não sobre-reagir, piorando desnecessariamente a crise ? ? . Para o presidente do BC, isso é ainda mais importante porque um dos canais do contágio de transmissão da crise hoje é o canal de expectativas. Se não houver confiança, o desastre será maior, na visão dos banqueiros centrais.

Ao mesmo tempo, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou seu índice de atividade das principais economias, mostrando que o Brasil tem de fato a situação econômica menor desconfortável no momento.

O Brasil é o único ainda com o nível de atividade acima do índice 100 e o único também com a economia considerada em desaceleração recente. Todos os outros estão com índices de atividade econômica que confirmam o mergulho na recessão, incluindo a China.

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Khan, disse ao Valor em Basiléia que as novas projeções que serão publicadas proximamente " são mais pessimistas para todos os países ? ? .

Após uma série de reuniões no BIS, o banco dos bancos centrais, Meirelles disse não haver " dúvida que o Brasil está sofrendo o impacto da crise, ela é séria, é importante, é global, mas o Brasil terá melhores condições (de sair dela) ? ? .

Além da base dada pela estabilização da economia, o presidente do BC notou que o país entrou na crise com investimentos crescendo a quase 20% ao ano e demanda doméstica a 9.3%. " Não há dúvida que isso não elimina a seriedade da crise, a desaceleração é algo que tem que ser levada muito a sério, mas em termos relativos estamos melhor. "
Indagado se a deterioração da situação econômica poderia levar a autoridade monetária a ser mais agressiva, ou seja, cortar mais rapidamente os juros, Meirelles deu sua resposta tradicional de que não comenta a política monetária antes de reunião do Copom.

Meirelles respondeu sobre um estudo de Cristina Romer, chefe da assessoria econômica do futuro presidente dos EUA, Barack Obama, que constatou que ações de política monetária são mais incisivas e têm efeitos mais imediatos do que política fiscal numa situação de recessão.

Retrucou que existem diversas abordagens de ações dos bancos centrais. E uma das que considera ter efeito muito impactantes é na gestão de liquidez. Disse que o BC do Brasil tem sido muito ativo nesse sentido, com a liberação de compulsórios de quase de R$ 100 bilhões, com a concessão de linhas de crédito em dólar para os mercados, e com intervenções no mercado spot e mercado futuro.

" Isso é muito importante para restaurar a funcionalidade dos mercados, que é o que primeiro impactou no Brasil ? ? , disse.

Outros dados importantes enfatizados na reunião do BIS, segundo Meirelles, foram o fato de o Brasil ter reservas internacionais elevadas, posições nos mercado futuros de câmbio - US$ 23 bilhões na entrada da crise - , o que permitiu ao país enfrentar os efeitos diretos da crise no mercado brasileiro.

Reiterou que o país está mais preparado também porque o governo é um credor líquido em moeda externa, com reservas superiores em US$ 100 bilhões à sua dívida externa. Ou seja, no momento em que o país tenha uma depreciação como teve da moeda, isso faz diferença. A dívida pública caiu de 40% do PIB para cerca de 35%, informou Meirelles aos outros BCs.

(Assis Moreira | Valor Econômico)

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