Tamanho do texto

A derrota do pacote de resgate do sistema financeiro americano na Câmara de Representantes provoca várias indagações nos Estados Unidos. Analistas se perguntam como pôde um plano apresentado pelo presidente George W.

Bush e pelas lideranças dos partidos Republicano e Democrata como necessário para salvar a economia do país - e do mundo - sucumbir. E com a ajuda do próprio partido do presidente.

Entre as respostas possíveis para o insucesso do pacote, analistas destacavam como principal a conjuntura eleitoral, além da dificuldade natural de um presidente em fim de governo, aliado à péssima comunicação dos propósitos do plano.

É fato que o governo não soube fazer o marketing do projeto. Ficou na cabeça das pessoas o alto custo de US$ 700 bilhões para o resgate, associado à idéia de que se tratava de um perdão às instituições financeiras responsáveis pela situação. Analistas reconhecem agora que não foi dito com todas as letras pelo governo que os contribuintes receberiam de volta pelo menos parte dessa dinheirama toda, e o que ficou na cabeça das pessoas - e repetido na mídia - foi o alto custo da ajuda a quem provocou a crise.

No momento em que parlamentares republicanos e democratas estão de olho na reeleição, fica difícil aprovar um projeto impopular. Como disse um analista do Washington Post, é mais fácil ao candidato dizer "enfrentei meu partido e Wall Street" do que "votei em favor de uma medida da qual não gostava, porque não tive escolha".

Outra dificuldade que desde o início de apresentava para o sucesso do pacote era o fato de que o presidente Bush está em fim de mandato, com taxa de aprovação baixíssima e sem muito a oferecer em troca de apoio. Por isso, não foram suficientes seus apelos aos parlamentares, mais preocupados com o futuro político deles do que o do quase ex-presidente.

Quanto aos candidatos Barack Obama e John McCain, ambos chegaram a manifestar apoio ao pacote, mas também pouco fizeram para conseguir sua aprovação na Câmara dos Representantes, cujo trabalho ficou a cargo das lideranças partidárias.

Alguns analistas vêem como explicação para o fracasso o fato de que muitos congressistas talvez não estejam encarando a crise com a devida seriedade. Restou ainda a justificativa dos líderes republicanos, que creditaram a derrota à presidente da Câmara, Nancy Pelosi. Em discurso na sessão de votação do projeto, a democrata culpou a administração Bush pela crise. Será que ela está errada?

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.