As perdas com operações de derivativos cambiais levaram a Sadia a um prejuízo de R$ 777 milhões no terceiro trimestre. No final de setembro, a companhia divulgou uma estimativa de prejuízo financeiro de R$ 760 milhões com a liquidação antecipada de operações de derivativos que tinham extrapolado os limites estabelecidos pela política de risco da empresa.

No balanço do trimestre, divulgado ontem, esse prejuízo foi revisado para R$ 653 milhões.

A companhia também anunciou uma perda contábil, sem efeito em caixa, de R$ 239 milhões, referente à marcação a mercado de notas de crédito emitidas por instituições financeiras no exterior, principalmente o Lehman Brothers, com vencimento até setembro do ano que vem.

"As operações que representavam risco para a companhia foram liquidadas nos dias 12 e 15 de setembro", afirmou o presidente do Conselho de Administração da Sadia, Luiz Fernando Furlan. O ex-ministro do Desenvolvimento foi chamado de volta ao conselho com a missão de resgatar a credibilidade abalada pela revelação da alta exposição da companhia à operações de derivativos cambiais.

"Temos outras posições, que têm sido liquidadas ao longo do tempo. Somos uma companhia que opera US$ 300 milhões por mês de exportação", disse Furlan.

O prejuízo líquido do terceiro trimestre representa uma queda de 512,7% em relação ao lucro do terceiro trimestre do ano passado, de R$ 188 milhões. O resultado negativo de R$ 777 milhões foi melhor do que o previsto por analistas, que falavam em prejuízo da ordem de R$ 815 milhões.

No acumulado de janeiro a setembro, o prejuízo da Sadia está em R$ 443 milhões. O faturamento da companhia foi de R$ 3,15 bilhões no trimestre, alta de 28,3% na comparação com igual período no ano anterior. O prejuízo com as operações de derivativos veio em um momento de forte expansão da Sadia, que está investindo R$ 1,6 bilhão na construção de seis novas fábricas no País. Furlan reiterou que esses investimentos, previstos para 2008, estão mantidos e que a empresa planeja desembolsar mais "R$ 500 milhões a R$ 600 milhões" até o final do primeiro semestre de 2009, para dar continuidade aos projetos.

Apesar do prejuízo, Furlan se mostrou otimista com relação ao futuro. "O trimestre em curso normalmente é o melhor do ano. Além das vendas normais, há produtos específicos para o período natalino, e há ainda a equação favorável relativamente às margens pela acomodação dos preços das commodities", disse.

O presidente da Sadia, Gilberto Tomazoni, afirmou que apesar das perspectivas de retração global, a companhia mantém suas projeções de crescimento, de 12% a 14% em volume, e de atingir R$ 12 bilhões em faturamento.

"Devemos ter um refluxo de preços e de custos, e a competitividade da Sadia pode ser acentuada no mercado. A Sadia tem um portfólio equilibrado com suas exportações nas diferentes regiões do mundo." Sobre o mercado doméstico, Tomazoni acredita que haverá uma "acomodação natural", com ênfase maior nos produtos mais baratos. "A preferência dos consumidores é um hedge importante nesse caso."

Para demonstrar que a vida continua nas operações da companhia, Tomazoni lembra que a companhia contratou 3,8 mil funcionários no terceiro trimestre. "A expectativa é fechar 2008 com 10 mil contratações."

Sem perder o bom humor, Furlan lembrou que "em momentos de crise, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém". "E, se o mercado recomenda caldo de galinha, vamos faturar com isso."

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